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Super Bowl e Lady Gaga: é festa ou palanque?

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Tocar num VMA, Oscar, Billboard Awards ou Grammy é o desejo de qualquer artista, não é mesmo? Os motivos são vários e podemos listar alguns como o glamour da festa, networking com os maiores artistas e selos do planeta, um bom espaço para lançar algum single/disco e ganhar uns trocados a mais na conta por vestir alguma roupa para uma grife. Todas essas premiações são gigantes, mas, se o artista quer mesmo alcançar números imensos, ele deve fazer alguma pontinha no Super Bowl.

Pepsi Zero Sugar Super Bowl LI Halftime Show

A final do futebol americano ostenta números incríveis. Podemos começar com a audiência média de mais de 110 milhões de espectadores, apenas na terra de Donald Trump. Se for comparar com outros eventos do calendário, o Oscar teve quase 35 milhões de pessoas e abertura das Olimpíadas bateu a marca de ‘apenas’ 26,5 milhões nos Estados Unidos. Em termos de cifras, expor a sua marca não é para qualquer um. Para bancar a estrutura deste evento, um comercial de 30 segundos no canal FOX, detentora dos direitos da transmissão norte-americana, pode chegar a mais de 15 milhões de reais!

Com todos olhares para este palco, imaginava-se que a Gaga iria se posicionar politicamente sobre que está acontecendo nos Estados Unidos. Afinal, em toda corrida presidencial, a cantora deu algum pitaco em suas redes sociais ou em sua turnê. Por ser o evento mais popular do calendário esportivo estadunidense e pela dimensão que ele proporciona, eu achei que a Lady Gaga iria tirar o seu corpinho fora. Algumas pessoas julgaram em como ela pode ser patriótica num momento tão delicado como os EUA, cantando esta “God Bless America”. No final deste hino, Gaga emendou com e “This Land is Your Land”, do cantor Woody Guthrie, e não foi à toa.

Durante dois capítulos difíceis na história norte-americana: Grande Depressão e a crise econômica dos anos 30,o cantor que a Gaga escolheu, virou um cantor itinerante que descrevia a miséria dos trabalhadores e o desenraizamento dos agricultores que tiveram de abandonar suas terras. Lady Gaga não fez o tipo de afirmação política OUSADA que Beyoncé fez no Super Bowl do ano passado, quando apareceu com 30 bailarinos negros de boinas da Pantera Negra com o punho em riste.

Lady Gaga entregou entretenimento à NFL, conforme o combinado. A parte política foi sútil, ao citar um trecho de Woody. Esperamos que tudo da autora de “Poker Face” seja espalhafatoso por sua natureza. Talvez por isso, ser sutil em sua apresentação tenha – paradoxalmente – tomado grandes proporções. E você? acha que o evento vale atos políticos, ou festa é festa e política é no palanque?

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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

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