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Para colunista do UOL, Rock in Rio erra duas vezes ao não chamar Anitta

O primeiro dia do Rock in Rio 2017 começou hoje com um grande desfalque: Lady Gaga, principal atração do Palco Mundo, não vem mais e em seu lugar toca o Maroon 5, que já se apresenta no sábado.

A substituição não agradou tanto, mas faz sentido pois o dia do Maroon 5 foi o primeiro a esgotar quando as vendas do festival começaram. No lugar da banda, muitos queriam ver Anitta, que é mais semelhante a Gaga no estilo do que o Maroon 5. Os fãs da americana inclusive falavam “Anitta sim, Maroon 5 não!” numa transmissão ao vivo da Globo News em frente ao hotel Fasano, onde Gaga se hospedaria.

Para Alexandre Matias, colunista do UOL, jornalista cultural e integrante do júri de música popular da Associação Paulista de Críticos de Arte, o Rock in Rio não convida Anitta para cantar no festival, substituindo Gaga ou não, pois a esnoba.

No artigo intitulado “Por que o Rock in Rio erra duas vezes ao esnobar Anitta”, ele escreve sobre a carreira de Anitta neste ano, que teve sucessos como “Paradinha”, “Loka” (de Simone e Simaria), “Sua Cara”, feita pelo Major Lazer e com a participação de Pabllo Vittar, e lançou a recente música em inglês “Will I See You”. O Rock in Rio não é estritamente um festival de rock, como o nome poderia indicar, e quem melhor do que Anitta para representar o pop brasileiro?

“O único brasileiro a ir tão longe no pop mundial foi Tom Jobim, ao transformar sua “Garota de Ipanema” em um dos maiores hits da história. Mas fora ele e outros luminares da bossa nova (João Gilberto, Marcos Valle, Sérgio Mendes), Anitta já ultrapassou outras histórias de brasileiros que fizeram sucesso no exterior, como o grupo punk Cólera, o Sepultura ou o Cansei de Ser Sexy. E a impressão é que ela está só começando… Por isso o Rock in Rio erra ao não escalá-la para a edição deste ano. É um descompasso com a realidade da música brasileira, principalmente quando o próprio festival lança uma perspectiva global sobre si. Um show de Anitta no Rock in Rio seria uma vitrine enorme tanto para a artista quanto para o festival, algo parecido com o que poderia ter sido o show de Sandy e Júnior no Rock in Rio de 2001 (mas que ficou parecendo um musical da Globo com pouco orçamento).”

Em março desse ano, Anitta falou sobre os boatos de que a organização do Rock in Rio teria vetado sua participação apesar dos muitos pedidos, e sobre as críticas de que teria renegado suas origens do funk para fazer mais sucesso no pop: “Se eu uso as artimanhas do funk pra fazer o meu show mais divertido, não tem como eu dizer que eu não sou do funk. Eu sou, assumo e tenho o maior orgulho, mas acredito sim que eu tô fazendo outros ritmos, não só o funk”.

Matias lembra quando Roberto Medina, criador do Rock in Rio, falou sobre Anitta:

“‘Não tenho afinidade com a música dela, não achei que encaixava, mas ela está indo para um caminho pop que a aproxima mais do Rock in Rio, como a própria Ivete (Sangalo) entrou nesse caminho. Não tenho nada contra, estou conversando com ela. Almocei com ela outro dia e fiquei impressionado. Ela é uma empresária, tem uma visão de marketing.’ Mas não sem antes escorregar na saída: ‘Estou trabalhando uma ideia de fabricar uma favela dentro do próximo festival. Colorida, mais bonita, mais romântica, para ter a música da favela, fazer uma seleção (de artistas) nelas, empolgar o pessoal de lá. Trazer os botequins também’. (…)”

Em entrevista recente à Veja, Medina voltou a citar a cantora quando a reportagem perguntou por que Anitta ficou de fora dessa edição:

“Não tem nada a ver com antipatia a ela. Simplesmente não nos programamos para incluir o funk no Rock in Rio. Mas ela está realmente cada vez mais pop e eu percebo que gostaria de participar. Quem sabe na próxima edição ela esteja no palco.”

Finalizando, o jornalista aponta que o problema com Anitta e sua música, então, é social.

“Ao isolar seu pop de shopping center num parque temático musical nos confins do Rio de Janeiro, o Rock in Rio finge que a verdadeira música pop brasileira (que inclui não apenas o funk, mas o sertanejo e inúmeros outros gêneros e subgêneros populares) não existe pelo simples fato de não estar dentro de seu condomínio fechado. Essa separação é parente do preconceito que tenta vilanizar um gênero musical com decretos de lei, algo que já vimos acontecer no Brasil há cem anos com ninguém menos que o samba, que hoje é o grande gênero musical popular do país. Sempre que alguém fala que “isso não é música” (seja samba, rock, rap, reggae, funk) pode ter certeza que, sim, é música e, não, o problema não é a música – e sim quem canta e quem dança.”

Vocês concordam com a opinião dele? Já está na hora de Anitta se apresentar no Rock in Rio? A gente quer sim e o público também!

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