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“Valerian”, “Malasartes” e o novo da Sofia Coppola: impressões das estreias nos cinemas

Quinta-feira é dia de estreias no cinema e vimos três produções que chegam hoje às salas brasileiras: “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, “Malasartes e o Duelo com a Morte” e “O Estranho Que Nós Amamos”.

Abaixo colocamos as nossas impressões de cada um dos filmes para quem sabe ajudar vocês na hora de escolher um longa para assistir no fim de semana. As opiniões estão logo depois das respectivas sinopses.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Sinopse: Adaptação da HQ “Valerian: O Agente Espaço-Temporal”, de Pierre Christin, Jean-Claude Mézières e Évelyne Tranlé, o filme narra a história de Valerian e Laureline, uma dupla de agentes espaciais encarregados de manter a ordem em todos os territórios humanos no século 28. Por ordem do Ministro da Defesa, os dois embarcam em uma missão para a surpreendente cidade Alpha – uma metrópole em constante expansão, onde milhares de espécies de todo o universo se reúnem há séculos para compartilhar conhecimento, inteligência e cultura uns com os outros. Há um mistério no centro de Alpha, forças obscuras ameaçam a pacífica existência da Cidade dos Mil Planetas e Valerian e Laureline devem correr para identificar a ameaça e proteger não só Alpha, como o futuro de todo o universo.


Cerca de 200 milhões de dólares foram investidos em “Valerian”. Essa grana foi usada muito bem nos efeitos, realmente surpreendentes ao construírem a imensidão do espaço. Nesse ponto, o filme de Luc Besson é um arraso – os locais e os seres extraterrestres são lindos, detalhados e prendem a nossa atenção. Mas isso não é suficiente para o longa se sustentar, e a trama não ajuda.

Há muitas explicações desnecessárias sobre a missão dos agentes, tornando a história difícil e chata de acompanhar. “Valerian” também perde tempo no romance entre Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne), forçado e sem qualquer desenvolvimento apesar de existir essa relação nos quadrinhos. O sentimento que fica é de irritação, “que saco, queria que essas cenas passassem logo“, e não de admiração e torcida pela dupla. O resultado? Um filme de quase duas horas e meia sem motivo para essa duração. Parece que o diretor (e também roteirista) tentou criar um enredo tão grandioso quanto a parte visual, mas tudo poderia ser bem mais simples.

Há pontos positivos na história sim, como por exemplo a cena de abertura, ao som de “Space Oddity”, do David Bowie. São alguns minutos incríveis praticamente sem diálogos que expõem a magnitude do universo e como os avanços espaciais dos humanos foram progredindo até chegarem ao século 28.

Sobre Rihanna, sem muitos detalhes sobre sua personagem para não estragar a experiência de quem for assistir a “Valerian”, sua participação basicamente se resume àquela cena dos trailers, onde ela faz um show e muda de aparência, e depois de um certo tempo é descartada. Uma pena, porque a breve performance da cantora foi bem boa.

“Valerian” é um projeto passional de Luc Besson (“O Quinto Elemento”, “Lucy”), fã desde criança da HQ francesa sobre o agente. Os quadrinhos, no entanto, não são super conhecidos fora da França, e o enredo confuso e muito demorado não corresponde às expectativas criadas pelos trailers, e também não nos deixa com vontade de entender e acompanhar as aventuras dos personagens.

Falando no filme… já viu a nossa (tentativa de) entrevista com o Luc Besson?

Malasartes e o Duelo com a Morte

Sinopse: A trama gira em torno das aventuras do personagem lendário do folclore ibero-americano, Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa), que vive de pequenas trapaças e está sempre se safando das situações, muitas vezes, criadas por ele mesmo. Mas terá que enfrentar dois grandes inimigos: Próspero (Milhem Cortaz), que fará de tudo para impedir que sua irmã Áurea (Isis Valverde) namore um sujeito preguiçoso, sem coragem e imprestável como Malasartes; e a própria Morte encarnada (Julio Andrade), que quer tirar férias depois de dois mil anos ceifando vidas, e pretende enganar Pedro para que assuma o tedioso cargo em seu lugar. Para piorar, Malasartes terá que lidar com a bruxa Parca Cortadeira (Vera Holtz) e Esculápio (Leandro Hassum), assistente da Morte, que querem para si o posto que a Morte pretende vagar.


O filme se divide em dois cenários: o rural, onde Malasartes mora, e o mágico, lar da Morte. Nos dois ambientes, principalmente no real, o trapaceiro protagonista logo captura a nossa atenção, graças ao humor e leveza da interpretação de Jesuíta Barbosa.

O roteiro aborda temas como destino e livre arbítrio com a mesma graça e simplicidade do malandro. Algumas cenas, no entanto, soam repetitivas, e aí “Malasartes” perde um pouco o espectador, que já consegue prever o que vai acontecer.

“Malasartes” tem mais de 50% das cenas geradas por computação gráfica, sendo o filme com mais efeitos visuais do cinema brasileiro. Na questão da computação gráfica, o investimento nos efeitos especiais se justifica – as cenas mágicas foram bem usadas, mostrando a Morte e seu assistente voando de um lugar para o outro, por exemplo. É impossível não prestar atenção nesses efeitos especiais, principalmente quando o vale das velas (cada uma representando uma vida humana) aparece – é lindo!

O Estranho Que Nós Amamos

Sinopse: Ambientada durante a Guerra Civil em uma escola no sul da Virgínia, a produção apresenta a história de mulheres abrigadas em um colégio que encontram um soldado machucado que precisa de cuidados médicos, fornecem abrigo e cuidam de suas feridas. Mas, com sua chegada, a casa é estranhamente tomada por uma forte e perigosa tensão sexual que gera rivalidade entre as estudantes. Tabus são quebrados em uma inesperada reviravolta de acontecimentos.


O novo filme de Sofia Coppola é uma releitura do longa homônimo de Don Siegel, com Clint Eastwood no papel do soldado (aqui ele é interpretado por Colin Farrell) – o original, por sua vez, é a adaptação do livro de Thomas Cullinan.

Usando nesta versão o ponto de vista das mulheres (Nicole Kidman é a dona do colégio, Kirsten Dunst a professora e Elle Fanning uma das estudantes), Sofia suaviza o tema e as personagens, mas ao mesmo tempo um clima de tensão paira sempre pelo ar, evidenciado, por exemplo, na falta de trilha sonora: os sons são predominantemente ambientes, vindos da natureza, como o canto de pássaros e o sopro do vento. A fotografia, com muita luz natural, também reforça isso.

A tal tensão sexual da sinopse cai muito bem nas mãos da cineasta. A perda da inocência e a descoberta da maturidade são temas abordados tanto neste quanto em outros filmes dela, como “As Virgens Suicidas” e “Bling Ring: A Gangue de Hollywood”. Colin Farrell representa a curiosidade, o desejo, enquanto Nicole Kidman, roubando a cena, significa uma certa resistência ao novo, mas até certo ponto.

Uma escrava negra e o espírito de guerra da época, elementos do filme original, ficaram de fora.

Por “O Estranho Que Nós Amamos”, Sofia venceu o prêmio de melhor direção do Festival de Cannes neste ano, o segundo vencido por uma mulher desde 1961.

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