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Os operários da música no Globo de Ouro

Com a coroação de “La La Land: Cantando as estações” no último domingo (08/01), o Globo de Ouro foi um dos mais musicais das últimas temporadas. Mas não foi apenas pelo musical de Ryan Gosling. A música esteve presente nas entrelinhas da premiação mais simpática do cinema/TV e vou me atentar nestes detalhes por hoje. Esta turma nunca está sob os holofotes ou aparecem nos charts do Spotify, mas o seu trabalho enaltece momentos dramáticos, demonstra que o som certo numa introdução pode ficar na memória afetiva de milhões de pessoas ou que atores podem fazer um som de primeira qualidade e despontar nos melhores festivais do calendário.

Um bom início foi pela escolha do apresentador da cerimônia, Jimmy Fallon. Em seu programa na NBC, Jimmy faz questão de lançar uma paródia musical por semana e, quando tem algum grande lançamento, ele convoca a sua super banda de apoio (que atende pelo nome de Roots e é um dos maiores nomes do rap 00’s) para fazer uma jam sessions com instrumentos de quiança. Ele já levou alguns nomes como Obama, Miley Cyrus e Metallica para tocar com ele. Sem contar esta incrível entrada que ele nos proporcionou:

O ator Donald Glover levou a estatueta na categoria ‘Melhor Performance em Série de TV’ pelo seu trabalho na série “Atlanta” e não teve muito alarde. Vale lembrar que ele também é responsável pela criação, roteiro e produção executiva da série que fala um pouco sobre a cena de rap da capital de Georgia. Além de ator e roteirista, Donald Glover é um exímio músico. Quando está no estúdio ou em cima de um palco, o rapaz é conhecido pelo nome de Childish Gambino. Ele tem três álbuns lançados, sendo que o último foi lançado no fim do ano passado e ganhou espaço na lista de destaques de 2016. Awake, My Love é um disco incrível de soul, funk e psicodelia. Se você não ouviu, eis uma ótima dica.

O melhor filme de língua estrangeira ficou com o francês “Elle”, de Paul Verhoeven – diretor holandês que tem em seu currículo diversos filmes incríveis como “Instinto Selvagem” e “Homem Sem Sombra”, mas eu descobri escrevendo esta coluna que ele dirigiu o primeiro “Robocop” e o “Vingador do Futuro”. Hahaha! A trama fala o quanto a empresária da indústria de games Michèle Leblanc (Isabelle Huppert) se aprofunda em seu lado mais sombrio após sofrer um abuso sexual. A trilha sonora é assinada por Anne Dudley, uma importante operária da música. Além de ser conhecida pelo seu grupo Art of Noise, Dudley lapidou a parte musical do premiado, Os Miseráveis, e ter trabalhado com grandes nomes como Robbie Williams, Sting e Rod Stewart.

Aquelas trilhas sinistras que dão um frio na espinha ou aquela introdução de uma série que gruda em sua cabeça como se fosse algum comercial de refrigerante podem ter sido feitas por um italiano chamado Michael Giacchino. Ele está na equipe da animação Zootopia, um dos maiores filmes do ano passado – estes bichinhos faturaram quase 1 bilhão de Trumps! O italiano é disputado a tapas pelos estúdios e esta concorrência deve-se por alguns sucessos que ele orquestrou como “Lost”, “Up”, a trilha do game “Medal of Honor” e o belo filme dos ratinhos “Ratatouille”.

O modelo do Globo de Ouro é um dos que mais me agrada no calendário das premiações. Eles sacaram logo de cara que o consumo de TV não fica restrito apenas para grandes canais de TV e colocaram boas produções em plataformas on demand como o Netflix para disputar o prêmio. Parece algo banal, mas no começo da plataforma, eles sofreram resistência de diversas premiações por aí.Imagina um artista não estar em alguma premiação por ter lançado o seu disco apenas no Spotify e não ter algum CD em loja. Estamos em 2017 e não precisamos ficar presos a formatos antigos, né?

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

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