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Foto: Divulgação

Luísa Sonza sugere conceito da próxima era, fala sobre carreira internacional e garante sofrência “pior que em ‘penhasco’”

Se toda a era “Doce 22” apresentou a fidelidade de uma identidade artística periódica para o mercado brasileiro, não existiria uma canção melhor que “Café da Manhã”, parceria com Ludmilla, para finalizar oficialmente os lançamentos do disco que alavancou ainda mais a carreira de Luísa Sonza. A estética do videoclipe chegou na contramão dos demais e, absolutamente colorida, provou mais uma vez que Luísa sabe entregar um pop chiclete como ninguém.

Dá uma olhada:

Em uma conversa com o Papel Pop, a cantora embarcou na era “Doce 22”, revelou o que podemos esperar da próxima fase (vai ter sofrência!), contou os planos para sua carreira internacional, sugeriu a temática da próxima era e ainda revelou em qual o lugar do mundo, além da Avenida Paulista, apresentaria “Anaconda”.

Confira a entrevista na íntegra:

Na era “Doce 22” a estética é bem mais dark, você se veste e se apresenta de uma maneira que traduz bem a vibe do disco. “Café da manhã” veio na contramão de tudo isso e é um clipe todo colorido, essa vai ser estética próxima era? Quero spoilers! 

Não! Continuo nessa era e isso aqui é “Doce 22”. A próxima só começa quando eu lançar um outro álbum, entre isso existe o dia a dia em que eu vou estar numa mistura. Depois que terminar a divulgação de “Café da Manhã”, termina tudo, e vou misturando o que sobrou do “Doce 22”, até porque ainda tenho vários projetos dentro dessa história. Depois eu faço um compilado e essa forma de se vestir vai se misturando entre as ‘subáreas’ de “Doce 22”.  

Eu estou compondo, escrevendo muita coisa. O [processo de criação do] “Doce 22” durou quatorze meses, provavelmente esse [próximo álbum] vai durar tudo isso ou mais. Pelo o que estou escrevendo, vai ser uma era de muito sofrimento por amor. Eu tenho muita música que fiz sofrendo por amor, pior que em “penhasco”.

Piores que “penhasco”?

Amor, eu estou sempre sendo atirada do penhasco. Não tem uma pessoa, uma mãozinha pra me segurar. É uma canceriana que vive muito o amor, muito o conto de fadas e acaba sempre quebrando a cara. Nesse momento eu to bem fechada porque não to mais afim de me ferrar, não. Aí vai, provavelmente ter ser o lado A e lado B, a parte que eu to sofrendo e a parte em que falo “ei, ei , ei, Luísa! Acorde!”

Tá aí um bom conceito! Dá pra fazer um lado como conto de fadas e outro como a vida real.

Exatamente! Eu acho que vai ser, vai saber. Vamos ver no que vai dar, mas até eu escrever tudo… Aproveita “Café da Manhã” que o jantar vem só depois (risos).

Um disco com mensagens tão pessoais ter se tornado o álbum pop mais ouvido do brasil fez com que alguns estigmas ruins que muitas pessoas tinham sobre você fosse desconstruídos. Como você enxerga isso? Existe uma pressão externa para o próximo lançamento?

Eu acho que é um risco que todo artista corre. Todo mundo quer ser amado, quem fala que não quer, está mentindo. Só que eu acho que o artista está em uma frente de que a arte é crítica, então às vezes ela é feita para ser colocada em questionamento e eu admiro muito isso. De um mês pra cá eu não estou mais tendo tanto medo da aprovação das pessoas. Antes eu já não tinha, então eu não perderia nada, mas agora, com o “Doce 22”, eu passei a ter medo de perder o amor das pessoas porque é muito bom ser aceito. Eu amo o carinho das pessoas, é isso que eu mais quis e implorei, eu falava “Deus, por que? O que eu faço de tão mal para o mundo para ser tão odiada?”, só que se eu me agarrar a isso eu paro de trabalhar e fazer o que eu acredito. Eu não vou me boicotar só para ter a aprovação das pessoas, se eu tivesse, não teria o “Doce 22”. Não posso parar agora de ter coragem só para ter aprovação. É sobre não ser boa em algumas vezes e ser muito boa em outras.

Não sei se você viu, mas a Márcia Sensitiva falou em uma entrevista que a sua carreira internacional está vindo aí. Sei que você já gravou uma colaboração em inglês e participou do remix de “I Cry About It Later”, da Katy Perry. Uma carreira internacional é algo almejado? Se sim, em que pé está essa nova fase para você?

Agora eu estou estudando o que eu quero entregar lá fora. Estudando mesmo, todos os dias. Estou fazendo relações lá fora e esperando pelos momentos estratégicos e que eu acredite que sejam certeiros, obviamente é um risco e não tem como saber. Estou analisando, assim como fiz no Brasil. Deu certo porque eu estudei muito e sabia o que estava fazendo. Cada passo que dei foi acreditando em uma estratégia — que eu criei na minha cabeça, mas era uma estratégia (risos).

Estou fazendo a mesma manobra lá fora, mas com mais cuidado ainda porque agora são duas coisas. Mas sim, tenho muitos planos pra fora e pretendo ir além, mas a ansiedade mata o artista. Estrategicamente, agora, para mim, não é bom começar com lançamentos, mas até o final do ano… quem sabe?

E sobre a performance ICÔNICA que fez na paulista e que marcou a era “Doce 22”. Pensando no mundo agora, em qual outro lugar você faria um show surpresa pra sarrar no asfalto com anaconda? 

Meu Deus, eu não sei! Na Times Square com um show meu, talvez. Mas para ser de surpresa eu tenho que ter uma carreira lá fora, por enquanto vou fazer no Brasil mesmo! (risos)

Muitos fazem uma comparação sobre a linearidade da sua carreira com a da Taylor Swift, ambas começaram com músicas mais acústicas, no violão, foram para o pop e lançaram seus respectivos “Reputations” com as cobras e etc. Agora ela voltou pra essa linha mais calma e alternativa. Você é muito versátil e se dá bem em todos os estilos, mas já esteve nos planos ter um trabalho mais calmo, como um certo “refúgio artístico”?

Com certeza, eu sinto que minha carreira, em algum momento, vai bastante para esse lado. Quando eu canto essas músicas, eu me sinto muito em casa, essa é minha raiz e eu sou canceriana, mas eu sou jovem, eu gosto de aparecer, de ser gata, de dançar e rebolar minha bunda. Isso é uma coisa muito da Luísa jovem, de querer viver, então como jovem, estou no auge dos meus hormônios e me permito aproveitar isso. Vou ter muito tempo para fazer tudo, mas uma hora meus joelhos não vão mais aguentar rebolar a minha bunda, minha lombar não vai aguentar a vida inteira. Eu me sinto muito completa fazendo músicas mais profundas e lentas, acho que minha carreira ainda vai para esse rumo bem forte.

Você é uma artista que sempre recebeu muitas críticas por diversos motivos. O mais recente deles foi pela performance sensual de “Café da Manhã” no Hopi Pride. Muitos criticaram e apontaram uma certa hipersexualização da sua imagem e você, dessa vez, respondeu que eles só pareciam burros e te “davam vergonha”. Você acredita que hoje em dia lida melhor com certas críticas? Você acha que de certa forma, a visibilidade impulsionada por elas ajudam sua carreira ao mesmo tempo que atrapalha sua vida pessoal?

Eu acho que sim. Hoje em dia eu já não levo tanto para o pessoal algumas coisas, não todas, mas em alguns âmbitos eu só falo “ai, para de ser burro”. Eu lembro sempre daquela entrevista com o Caetano [Veloso], em que ele fala “nossa, você é burro, você pensa de uma maneira burra”. Todo mundo quer ser compreendido, mas eu já não estou com paciência para explicar. Não é que eu não me importo, porque depois falam “ah, se não se importa, agora aguente!”, mas eu vou fazer o que? Vou sair gritando? Eu vou escrever minhas músicas e quem sabe no meio saia alguma como “Interesseira”, em que eu falo sobre. Mas eu vou seguir na minha linha reta e não olhar pro lado, porque tem gente apontando o dedo pra coisa que nem faz sentido.

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