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Foto: Joseph Morrison

[Entrevista] “Letras de músicas não importam”, diz o produtor Taz Taylor, responsável pelo coletivo hitmaker Internet Money

Tivemos a oportunidade de conversar com Taz Taylor, o renomado produtor e criativo por trás do coletivo Internet Money. Como descrever o Internet Money? Bem, até o próprio Taz tem uma certa dificuldade nisso, mas o segredo, de acordo com ele, é não limitarmos o “projeto” a uma só descrição. Vou tentar resumir: o Internet Money é um coletivo de produtores, beatmakers e jovens artistas aspirantes que buscam fazer hits através de um belo networking com nomes grandes da indústria do rap e R&B como o Drake, Big Sean, Juice WRLD e Big Sean. “Temos cerca de 50 produtores e artistas no coletivo e temos feito parte de muitos grandes álbuns. Ajudamos a lançar artistas como Juice World e NDR e Low Tech e Trevor Daniel. E temos feito parte de alguns dos maiores álbuns lançados nos últimos três anos.”, esclareceu Taz Taylor durante a nossa conversa. Vem ouvir “Lemonade”, o hit do Internet Money que tirou “WAP” da Cardi e da Megan Thee Stallion do topo das paradas americanas por alguns dias: 

 

 

 

Divertido e confiante, Taz Taylor compartilhou um pouco sobre sua jornada com o Internet Money, primeiro álbum, referências musicais – Shania Twain foi citada como uma das favoritas, tá? –, e ainda foi polêmico quando disse que as letras de músicas não são tão importantes assim! E aí, concordam? 

 

Confira a entrevista na íntegra: 

 

Conta um pouco pra gente como surgiu o Internet Money… 

Há uns quatro anos, eu conheci que era um dos maiores produtores da Internet na época, o D.T. e Nickman, que foram as pessoas que fundaram este mundo. Acabei me inserindo nesse mundo e nós apenas queríamos ser tipo produtores e assim nasceu o Internet Money, um coletivo que se tornou o maior de produtores no mundo e agora possui uma das maiores músicas do mundo. Portanto, há um monte de coisa envolvida, mas basicamente é apenas um coletivo de produtores. Temos cerca de 50 produtores e artistas no coletivo e temos feito parte de muitos grandes álbuns. Ajudamos a lançar artistas como Juice World e NDR e Low Tech e Trevor Daniel. E temos feito parte de alguns dos maiores álbuns lançados nos últimos três anos.

 

O que você acredita que é a melhor coisa de participar de um coletivo de produtores como o Internet Money?

É como eu posso dividir e ganhar a mesma quantidade que as pessoas da minha equipe e eles são como meus irmãos e eu posso passar minha vida com eles. É como minha nova família, entende o que quero dizer? Tipo, eu acordo todos os dias e tenho novas pessoas que entendem como eu me movo e como trabalho e apenas colaboro com eles no dia a dia e não tenho que me preocupar com pessoas fazendo negócios ruins ou pessoas que só se preocupam com elas mesmas. É como se todo mundo contribuísse e se preocupasse com o objetivo geral  qualquer que seja o projeto atual para o dia.

 

E o que mudou em sua vida com o Internet Monet, Taz?

Puts, cara, meio que tudo! Estou em L.A. agora em uma casa bem cara [risos]! Sou de Jacksonville, Flórida, então não venho de um lugar com muito dinheiro. Mas minha nossa, minha família ganhava provavelmente cerca de quarenta mil dólares por ano. Você sabe o que eu quero dizer? Em uma casa de renda realmente abaixo da média! Então de ser de onde eu sou e estar aqui agora, e não ter que me preocupar mais com dinheiro e nada além música… Sou muito grato! Eu apenas atribuo tudo a mim, apenas permanecendo focado e realmente trabalhando duro, realmente acreditando em mim mesmo e não deixando ninguém me distrair disso.

 

Posso dizer que você está contente que a sua carreira como designer gráfico não deu certo!  

Eu mando muito bem em design, viu [risos]?! Até hoje eu ajudo com a parte estética de alguns projetos – tipo a capa do CD do Internet Monet e tal… Vejo muito benefício em ter essa técnica porque consigo ter uma visão muito melhor sobre toda a questão de branding. Eu acho que minha relação com o design gráfico me permitiu acreditar mais em mim mesmo e confiar na minha visão e saber que eu sei do que estou falando! Existem pessoas com empregos reais como diretores criativos em gravadoras que não sabem tanto quanto eu. Eu vi essas coisas que as pessoas estão fazendo e é tudo um lixo – tipo, eu poderia fazer um trabalho melhor do que eles, sabe? Então eu acho que sou multitalentoso. Acho que é uma parte muito, muito importante de Tess Taylor e também acabei ganhando dinheiro pelo fato de pensar nas coisas que faço. 

 

A indústria de produção ainda é considerada inexistente ou irrelevante para algumas pessoas – tipo, muitas pessoas ainda não reconhecem o esforço que envolve esse processo – o que você acha disso?

As pessoas pensam que é da noite para o dia, quando na realidade é como se você quisesse aprender a tocar guitarra, você não vai simplesmente pegar e começar automaticamente tocando! Coisas assim só acontecem em filmes. É como quando você vê LeBron James ganhando um campeonato, mas eles não sabem que ele joga basquete desde os cinco anos de idade. São apenas muitas horas de trabalho e nada do dia para a noite, apenas muito trabalho duro e muito sobre fazer os movimentos errados, e fazer os movimentos certos – e ao invés de olhar para os movimentos errados como se fossem prejudiciais e sofrer, é sobre, na verdade, olhamos para eles como se fossem uma lição. Descobrir uma maneira de transformar o negativo em positivo e apenas construir um momentum online e fazer coisas monumentais.

 

Quais são algumas das músicas e artistas que você acredita que o tornaram no profissional que você é hoje?

Sempre me perguntam isso e cara, eu realmente escuto tudo! Tenho um gosto musical muito versátil! Cresci vendo os Sex Pistols nas fitas de VHS com o meu pai, e lembro de ouvir muito Frank Sinatra com a minha mãe! Tive influência de muitos gêneros musicais! Consigo te falar sobre Elvis Presley, Ray Charles, Leonard Skinner, James Brown… Quando o assunto é rap, por exemplo, eu sou de um lugar que fica entre Miami e Atlanta, então eu tô no meio de uma mistura muito boa, tipo o Rick Ross! É um pote derretido com muita coisa envolvida… Eu lembro de ouvir Shania Twain no carro quando criança e eu a amo até hoje, sabe? [Risos] Então eu acho que se fosse pra eu escolher uma música pra resumir todo o meu gosto musical eclético, não seria algo muito justo! Tudo o que eu escuto me fez quem eu sou hoje e eu faço questão de levar essas referências pro Internet Money – tipo quando eu levo um sample do Rick James dos anos 70 e as pessoas que trabalham comigo, que têm uns 19 anos, não fazem ideia de quem o Rick James é! Eu faço questão de ensiná-las para o nível de qualidade sempre crescer no Internet Money. 

 

Falando em trabalhar com outras pessoas, como você decide as colaborações para os seus projetos? 

As pessoas meio que odeiam trabalhar comigo porque eu tenho muitas referências e então sei exatamente o que eu quero que elas façam [risos]! Mas eu geralmente escuto o som e já tenho uma noção de uns quatro artistas que fariam sentido para a faixa, e aí ficamos testando até chegar num ponto que agrade a todos e no nível de qualidade que eu espero. Mas no final do dia, eu acho que quero fazer colaborações que as pessoas não esperam! Quero surpreender as pessoas, quero fazer da música algo divertido de novo, porque se não for eu, quem vai fazer, sabe? Eu cresci vendo o Pharrell, Timbaland e o Kanye, driblando e estendendo o gênero musical deles com mentes brilhantes como o Mr. Hudson, o Kid Cudi e James Blake! Eram influências diferentes para tudo o que era lado! Isso é incrível! E eu acho que a música atual envelheceu e ninguém mais se atreve como antes… Então se for para alguém testar esses limites musicais, que seja eu! 

 

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Ensinar as pessoas com tutoriais no YouTube sobre como produzir músicas é provavelmente o que mais gostei de descobrir quando fiz minha pesquisa sobre o Internet Money. É algo que vocês não tinham que fazer, mas vocês escolheram compartilhar sabedoria com a comunidade de produtores aspirantes! Por quê? E como você se sente quando vê comentários online dizendo que ensinou aos jovens produtores tudo o que eles sabem?

É meio doido! Quando eu comecei nesse meio, não existia os tutoriais ou até mesmo os drum kits! Sinto que mudamos muito essa realidade… Eu acredito muito em karma: ajude o máximo de pessoas que você puder, e coisas boas voltaram para você. Talvez é por isso que o Internet Money é tão bem sucedido! Você simplesmente não consegue nos limitar a uma área da música, estamos em todos os lugares. 

 

O Internet Money tem uma visão claramente de uma geração mais jovem que está se posicionando em um contexto que sempre foi comandado por grandes corporações. Como você vê suas realizações afetando esse contexto e como você planeja continuar a mudá-las e expandi-las?

Nem sei como processar muito bem tudo o que está acontecendo agora! Acho que está tdo indo de acordo com os planos, sabe? É como se estivéssemos destinados a estar aqui e agora as pessoas estão finalmente nos dando a liberdade de tomar certas decisões. Voltamos ao estúdio e estamos trabalhando num segundo disco e, novamente, estamos fazendo da produção dele algo divertido! Quero que as pessoas escutem as minhas músicas e se sintam tão inspiradas quanto eu fui ao ouvir “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” do Kanye!

 

Conta mais pra gente sobre o primeiro álbum! E quando podemos esperar o segundo?

Eu estava completamente chapado quando decidi que o primeiro disco tinha que ser lançado até primeiro de junho! [Risos] Eu até postei no Twitter e tudo! Acordei no dia seguinte e pensei “tá, agora vou ter que fazer isso mesmo”! Fiz tudo com muita pressa – sem perder a qualidade, claro –, mas como tinha um prazo estipulado, eu acabei me forçando a essa entrega. Eu fiquei sem comer por tipo, quatro dias seguidos, praticamente não dormi, tive ataques de ansiedade horríveis! Quando você faz um álbum, você quer que ele saia exatamente do jeito que você imaginou! Tem muita coisa envolvida e tipo, no final do dia, é o seu nome que estará atrelado ao projeto, sabe? E isso é muito doido! Enfim… Agora estou fazendo o segundo disco com muito mais calma e sem uma data de lançamento definida, o que ajuda muito [risos]!

 

Para a minha última pergunta, queria saber quais você acredita que são os três elementos básicos que formam uma boa música!

Melodia, timbre e BPM  – que é basicamente o tempo. Se você tem uma boa combinação dessas três coisas, as pessoas não vão nem ligar para o que está sendo cantado! Tipo, Pearl Jam – se você escuta alguma músicas, ninguém faz ideia do que os caras estão cantando, e mesmo assim, é um clássico! São músicas atemporais! O mesmo acontece com o Eddie Vedder! Ninguém entende a letra das músicas dele, mas isso realmente não importa porque a melodia é boa demais e é cativante! Aí é só depois de ouvir mil vezes que você para pra prestar atenção na letra! As letras das músicas não importam. No final, os fatores relevantes para uma música são essas três coisas que eu falei: melodia, timbre e o tempo da batida. 

 

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