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Entrevista: falamos com Murillo Zyess sobre novo álbum, criação de visuais e referências pop

No início deste mês de julho o cantor Murillo Zyess lançou o primeiro álbum de estúdio da carreira solo, o complexo “Subconsciente”. O trabalho conta com faixas potentes e a participação da cantora Urias, que o ajuda na missão de abrir ainda mais o leque de composições.

Sendo também integrante do grupo Quebrada Queer, com o qual conseguiu notoriedade em 2018, Murillo vem ganhando mais espaço na mídia com suas rimas poderosas e por meio de colaborações bem sucedidas com nomes como Gloria Groove e Guigo.

Em entrevista ao Papelpop o artista compartilhou histórias que inspiraram o disco, falou sobre a “tradução” de sons para a tela visual e revelou quais artistas mexem com o seu coração.

Papelpop: O álbum “Subconsciente” tem letras e texturas bem complexas. Quais temas mais te inspiraram durante a criação do trabalho?

Murillo Zyess: Sempre falo das minhas vivências. Nesse disco, tentei falar de uma forma mais ampla, que as pessoas pudessem se identificar de um jeito mais fácil e com um pegada mais sonora. As histórias são sempre as minhas. Esse disco é bem do meu dia-a-dia. Falo muito de coisas que aconteceram, inclusive do processo de criação dele. Ele é bem cotidiano e sobre mim.

Você consegue pensar em como sua vida e mente estavam, traçando um paralelo com como entraram no disco?

Falo muito sobre minha vivência na minha região, no lugar onde moro. Como as coisas acontecem aqui pra mim, porque tive uma notoriedade com o Quebrada Queer, em 2018. As coisas começaram a mudar, né? Em relação a onde moro, não a maioria, mas algumas pessoas já me conhecem. E também falo sobre ser um artista independente e morar na quebrada, onde não há tanta informação sobre esse tipo de profissão. As pessoas se questionam sobre como essa pessoa sobrevive. Não me veem de uma forma padronizada, da pessoa que todo dia sai pra trabalhar e depois volta, numa rotina. Tentei trazer essas reflexões sobre ser um artista independente e estar na quebrada, na margem. Como ser visto e como as pessoas me enxergam. Foram essas coisas que quis abordar, mas também falo do meu cotidiano de sair pra curtir. No disco, consegui resumir tudo isso. Experiências que tive e tenho aqui mesmo na minha quebrada. Não precisei ir longe pra escrever sobre isso. Em “De Praxe”, falo de um rolê que faço aqui na minha região mesmo, no Capão Redondo. Tenho ido bastante a um rolê LGBTQ que está super crescendo aqui. É super interessante e necessário a gente não precisar sair da quebrada e ir pro centro pra ter esse tipo de experiência, de encontro. Falo isso de uma forma sutil, mas pontuo tudo isso no disco.

Na primeira faixa, “Tática”, você nos apresenta na letra referências a Iza, Rosalía e Gloria Groove. O que elas representam pra você?

Esse álbum é cheio de referências. Adoro fazer isso. Acho que é muito da cultura pop, né? Sou muito fã da Rosalía e do que ela faz. Ela é uma potência estética e sonora incrível. Da Iza, não preciso nem falar, porque é quase uma entidade acontecendo. Esse disco tem bastante referência dos anos 2000. Quis resgatar essas memórias em estética e sonoridade, nas letras e melodias, visual dos clipes também!

Falando de clipes, criar e lançar independentemente os visuais para as músicas tem sido mais complicado durante a pandemia?

Sim, infelizmente. Terminei o disco faltando um mês para o estouro da pandemia, em fevereiro. Estava finalizando a capa e as fotos, já pra começar o primeiro videoclipe, de “Subconsciente”. Tudo atrasou e ainda não consegui desenrolar, porque ainda estamos nessa situação. Era pra ter saído junto com o disco. Ouço as músicas e já enxergo tudo. Queria fazer era um álbum visual. Fico nesse conflito pra decidir quais são os singles, porque todas me dão vontade de criar um visual.

O álbum traz uma parceria com Urias, a faixa “Prestes a Incendiar”. Como foi trabalhar com ela? E pergunta dupla: quem tem sido seu feat. dos sonhos?

Esse som com a Urias foi a realização de um sonho. Ela é muito talentosa e versátil. Camaleoa, né? Modéstia à parte, ficou incrível, muito por conta da interpretação que ela fez. E uma referência que tenho muito forte, uma das primeiras no rap, foi a Karol Conka. Ela já falou do Quebrada Queer várias vezes, ela conhece a gente. Mas pessoalmente ainda não a conheci. Não tive esse prazer. Ela e o Rico Dalasam são as primeiras pessoas que ouvi e me identifiquei, consegui me entender e enxergar num mesmo lugar. A partir deles. Seria foda. Ter um som com ela seria muito icônico também. Alguém também que talvez as pessoas não imaginem, e que vai ser meio difícil porque vi que ela se aposentou da carreira artística, é a Rita Lee. Acho que seria bem legal fazer algo com ela. Teria esse desafio. Já ouvi bastante e gosto muito, ainda mais na adolescência. Gostava bastante d’Os Mutantes, mesmo não sendo da minha época, tentava resgatar e gostava bastante.

Como você vê a diferença entre suas criações anteriores e este disco, este novo momento de sua carreira?

No Quebrada Queer, a gente cria tudo muito dividido. Todo mundo tem poder de criação e as ideias são uma junção de todas as nossas. No meu álbum, tive totalmente a liberdade de criar e explorar mesmo toda minha extensão artística. No disco, trouxe bastante a dança, por exemplo, que é uma coisa que não uso muito no Quebrada Queer. Não tenho total domínio sobre, mas estou muito disposto a aprender cada vez mais. No grupo, uso mais o rap nas criações, mas no disco ousei cantar mais e criar melodias, pra explorar esse lado.

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