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Apenas cinco músicas estão prontas (Reprodução)
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música

Conversamos com o trio Haim sobre novo álbum, videografia e influência de Britney Spears

Poucos artistas têm uma discografia tão cativante quanto o trio Haim. Lançando o terceiro álbum de estúdio, “Women In Music Pt. III”, que chega ao streaming nesta sexta-feira (26), as irmãs Este, Danielle e Alana mostram-se mais confiantes e criando canções cada vez mais complexas, tanto em estrutura quanto letra.

“Não sei se dá pra perceber, mas a gente ama fazer letras muito, muito, muito tristes com uma roupa de música feliz”, conta Este. O tais artifícios têm ficado cada vez mais potentes, como é possível perceber na faixa “I Know Alone” – que junto a “Up For A Dream” e “FUBT”, é a que mais carrega a identidade do trabalho.

O novo trabalho, produzido por Ariel Rechtshaid (Madonna e Charli XCX) e Rostam Batmanglij (ex-Vampire Weekend), havia sido programado para o mês de abril, mas foi adiado devido à pandemia de Covid-19. O primeiro single, “Summer Girl”, já havia sido lançado em julho de 2019, ganhando um clipe lindo, das três andando juntinhas, numa metáfora que parece a de se libertar e ir pra próxima:

Se elas estão ansiosas pro lançamento definitivo? Você descobre na entrevista abaixo:

PAPELPOP: O universo de sons deste novo disco é bem ligado à estética mais retrô e analógica. Por outro lado, sei que vocês também costumam trabalhar em softwares bem comuns, como o GarageBand. Como foi a produção deste trabalho?

DANIELLE: A gente começou “I Know Alone” no GarageBand. Tenho um programa no meu iPad chamado [Korg] Gagdet 2, que é uma ótima fonte, porque basicamente tem um monte de baterias eletrônicas simuladas, que você pode programar. Eu meio que usei como um instrumento, gravando meu iPad num computador. E montei tudo no GarageBand, que é o que uso pra compor. Começamos a escrever a partir da bateria eletrônica. É o mesmo padrão que tem nos refrãos, “tu-tchi-tá”… era só isso e o baixo. A gente compôs tudo a partir de baixo e bateria.

ESTE: De nada! 

DANIELLE: Hahaha aí, quando a gente levou ao Ariel e ao Rostam, percebemos que a bateria precisava ser um 808 [tipo de sequenciador eletrônico de batidas]. Porque soava o melhor e é um clássico. Tem um monte de samples… a gente encontrou aquele sample de voz e colocamos uma letra a partir dele, que diz “Sunday comes, they expect me to shine”. Esse foi um momento importante pra música. 

Então vocês escrevem enquanto já produzem? Vocês têm uma ideia clara de como querem que tudo soe?

DANIELLE: Hm… acho que é diferente pra cada canção. Sinto que muitas das canções mais à base da guitarra no álbum meio que surgiram só com ela mesmo e fomos construindo por cima. Acho que em “Los Angeles”, o sentimento era diferente. Foi ideia do Rostam deixá-la mais lenta. Era mais rápida e nosso amigo, Henry Solomon, é o saxofonista que está no clipe, ele era conhecido do Rostam e logo depois de “Summer Girl”, percebemos que tínhamos que ter ele para o resto do álbum. Ele toca todo aquele solo do início de “Los Angeles”, que acredito ter deixado a canção super especial. É um esforço colaborativo. Especialmente este. E acho que fez dele algo melhor. 

Nossa, e as faixas que têm sax ganham uma pegada bem jazz, meio Miles Davis, né?

DANIELLE: Opa! O Henry é formado em jazz, então… é bem jazz, sim!

Enquanto faziam este disco, vocês tinham em mente algum herói com quem queriam parecer no som?

ALANA: Acho que não… a gente foi muito inspirada pela espontaneidade, sobre o que estava acontecendo naquele dia no estúdio e ter certeza de que não tivesse muita pressão. Tipo, não importa o que escrevêssemos, um verso, uma ideia, uma ponte… a gente escrevia e deixava num canto por alguns dias. Aí a gente voltava. Esse foi o processo que nos inspirou, porque nos deixava com ideias frescas, porque esquecíamos. 

Essa visão já estava com vocês nos outros álbuns?

ESTE:  Não sei se dá pra perceber, mas a gente ama fazer letras muito, muito, muito tristes com uma roupa de música feliz hahaha e acho que isso é o que sempre fizemos. No som, talvez a gente mudou um pouco. Acho que quando a gente faz música, precisamos só saber como NÃO queremos soar. Com isso, a gente ganha liberdade e tudo fica mais fácil. Tipo, “a gente não quer fazer isso, mas aquilo pode ser uma opção”, sabe?

Total! Agora queria falar sobre os vídeos que vocês têm feito, especialmente as danças que existem neles. Vocês sempre foram ligadas à essa coisa da coreografia?

ESTE: Não dá pra perceber? A gente é incrível!

Muito! Hahaha eu acho!

ALANA: A Este é uma dançarina incrível! Eu e a Danielle, a gente é… okay. A gente sempre amou dançar. Nossos pais estavam sempre dançando.

DANIELLE: Acho que também foi natural queremos incorporar dança, porque crescemos assistindo a vídeos com muita coreografia, tipo Britney Spears e aprendendo todos aqueles passos. Isso sempre foi algo que amei.

ESTE: Spice Girls também! Elas eram mais fáceis pra dançar.

Interessante vocês citarem elas, porque pensei que a referência de vocês fosse mais dança contemporânea da Pina Bausch e tal…

ALANA: Uau! A dança de “I Know Alone” é uma colaboração com alguém por quem somos fãs há bastante tempo, o Francis and The Lights. A gente é amigo desde quando eu tinha 16 anos. A gente fez bastante reuniões no Zoom pra entender o que estava nos inspirando e acabamos baseando no que estávamos fazendo, por isso aqueles gestos de passar o dedo sobre o celular. A dança é sobre o que estava acontecendo em casa naquele momento. Muita coisa nos inspirou, mas… a gente ama dançar!

E estou muito curioso: quantos takes vocês filmaram até ser o certo para o vídeo de “I Know Alone”?

DANIELLE: Foram… 28?

ESTE: 22? E acho que a gente usou o oitavo. A gente devia ter parado no oitavo, mas a gente não sabia porra nenhuma sobre a iluminação, então a gente fez mais vinte vezes! A gente devia ter parado, mas rolou no fim!

 

“Women in Music Pt. III” já está disponível nas plataformas de streaming! Ouça:

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