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Fiona Apple lança seu primeiro álbum em 8 anos; ouça o precioso “Fetch the Bolt Cutters”

Telegraph, The Independent, Time… foi unânime. Os principais veículos de comunicação do mundo se renderam ao novo trabalho de Fiona Apple, lançado na madrugada desta sexta-feira (17). A Pitchfork, não satisfeita, deu nota 10,0 para “Fetch the Bolt Cutters” – um feito raro, que aconteceu pela última vez há exatamente uma década.

Oito anos se passaram desde o aclamado “The Idler Wheel…”, mas a sensação é de que Apple nunca deixou de cantar. Suas palavras ecoaram e muito. Mas agora, quando finalmente o silêncio é rompido, seu som parece estar ainda mais em consonância com o presente. É um trabalho necessário, fruto de uma maturação que não se vê a toda hora.

“Fetch the Bolt Cutters”, que foi gravado em casa, na Califórnia, foi feito pra ser ouvido no chão da sua sala, com total atenção. Talvez você se pegue dando play deitado na cama, sentindo cada um dos instrumentos e dos experimentos feitos pela artista. Vale a pena. É um prato cheio (e um escape!) para os dias de quarentena.

Mas claro, é bom também porque há a preciosidade do lirismo de Fiona, que a gente já conhece bem. Se nos anos 1990 a artista deu o pontapé em sua carreira sentindo-se livre pra se abrir sobre questões internas, que evocaram muitas vezes decepções amorosas e imposições do patriarcado, hoje ela mostra que a afirmação feminina (agora potencializada por resquícios do #MeToo, talvez?) também é um dos pontos altos de sua nova safra de canções.

Mesmo que não levante expressamente a bandeira do feminismo, Apple deixa claro o quanto é importante falar sobre o feminino, sobre reconhecer iguais. Mais precisamente, falar sobre sororidade, como acontece em “Newspaper”. Nesta faixa ela canta sobre empatia e descreve a relação firmada entre duas mulheres que foram traídas pelo mesmo homem. “Ladies” pega embalo na mesma linha de raciocínio.

O jazz, o R&B, o rock… estão todos ali, empregados de forma bizarra (ainda que o adjetivo seja empregado no melhor sentido possível). É muita riqueza sonora. Faça o experimento e ouça “Shameika”, uma daquelas faixas mais viajandonas. Há pianos destoados tocando ao fundo enquanto sua intérprete parece voltar aos tempos de colégio, quando o bullying era rotina.

“Fetch the Bolt Cutters” não poderia ter chegado em melhor hora. Ouça:

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