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Halsey lança seu novo disco, o sensível e elaborado “Manic”. Vem ouvir!

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Nesta sexta (17), a cantora Halsey lança seu terceiro álbum de estúdio, “Manic”. Muito inspirado em sua recente descoberta de transtornos emocionais (e como ela tem lidado com eles), o disco também fala muito sobre corações partidos, de uma forma bem bem bacana, sem desvalorizar a si própria nem anular os próprios sentimentos nas letras. O último disco da cantora era o “Hopeless Fountain Kingdom”, de 2017. Mas já em 2018, Halsey lançou o primeiro single de “Manic”, a faixa “Without Me”, que se tornou o maior hit da carreira dela, passando diversas semanas no topo das músicas mais tocadas, pela Billboard Hot 100.

Então a gente já sabia mais ou menos o que esperar… ou não? O disco na verdade vai muito além em termos de texturas sonoras, temas e até gêneros musicais. Transitando fácil entre um pop contemporâneo, country e o rock meio anos 90. Essa mistura, acredite, funcionou demais nas mãos de Halsey.

O disco já começa com uma faixa intensa e introvertida, “Ashley”. A canção, com o nome de nascimento da cantora, é cheia de harmonias, das quais Halsey tem se apropriado desde seu último trabalho. Numa das linhas, ela diz “se eu decidir terminar, aí vou sentir o espaço vazio”. A bad BATEU aqui. No fim da música, tem um sample de um trecho do filme “Um Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, de uma fala da personagem Clementine. Esse, aliás, é o nome da faixa seguinte. Um dos singles que a gente já conhece há algum tempo:

Apesar da referência, “Manic” é o primeiro trabalho que a cantora não considera como sendo um disco “conceitual”, com uma narrativa, um personagem e tal. E isso fica BEM claro na letra de “You Should Be Sad”, que ganhou um clipe digno de DIVA POP (que ela é, claro) na última semana. A canção rasga versos sobre como ela agora percebe coisas bem erradas num relacionamento recente. “Fico feliz por nunca ter tido um filho com você”, diz ela.

“Forever… (is a long time)” tem uma vibe bem Beatles no clássico “Strawberry Fields Forever”, com o melotron e baixo bem presentes, crescendo melodicamente ao redor da voz, que conta uma história sobre perceber que estava nutrindo uma situação amorosa ilusória. É a faixa mais ousada do projeto.

“Dom’s Interlude”, com participação do cantor e rapper Dominic Fike, tem aquele quê de canção do Frank Ocean. “3am” tem uma cara de rockzinho comercial dos anos 90. Uma característica marcante do estilo de composição da artista, a cadência mais sincopada e marcada de certas sílabas das frases está bem presente aqui. Uma delícia.

“Alanis’ Interlude” é um momento muito único e especial do álbum: um featuring com a Alanis Morissette. É lindo ver as duas gerações diferentes nesse encontro, especialmente porque Alanis sempre foi uma grande influência para Halsey, que desde o primeiro disco diz que cresceu ouvindo rock dos anos 90. “Killing Boys” também é um dos pontos altos do trabalho: já começa com um sample do filme “Garota Infernal”, que diz “não estou matando gente, estou matando garotos”.

“SUGA’s Interlude”, como o próprio nome já indica, é a colaboração da cantora com o membro do grupo BTS, nascido Min Yoongi. É a segunda canção na qual colaboram, sendo a primeira o hit “Boy With Luv” da banda sul-coreana. “Want You More” é uma faixa na qual Halsey realmente se entrega e declara que queria mais da pessoa por perto dela, com arranjo quase todo baseado nos vocais alterados. Muito emotiva e cativante.

“Manic” segue bem o legado artístico de trabalhos anteriores da cantora. A honestidade e o fogo presente nas letras de Halsey desde o início da carreira ainda estão com a gente, mas de forma mais refinada. Tudo é mais melódico, quase que numa volta ao primeiro EP da artista, o “Room 93”, o que talvez possa surpreender alguns fãs. Tudo é menos denso e obscuro do que os dois primeiros álbuns da carreira.

Em diversos momentos, a gente se depara com uma nova textura aplicada pela cantora nos vocais: o sussurro. Sendo por influência de Billie Eilish, vídeos de ASMR ou o que for, funciona demais, como nas faixas “Forever… (is a long time)” e “I Hate Everybody”.

O disco termina com “929”, uma canção gostosinha e com uma letra muito direta, o traço mais notável da escrita de Halsey: “lembro do nome de todos os fãs que conheço, mas esqueço daqueles com quem dormi”, revela a artista na música. A honestidade em tudo que ela faz é muito cativante <3

Vem ouvir o “Manic” com a gente:

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