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Iggy Azalea fala ao Papelpop sobre show no Brasil, Pabllo Vittar e dilemas da indústria musical

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Nossa entrevista com Iggy Azalea estava marcada para começar às 16h45, mas precisou ser adiada por quase 1h. Foram várias tentativas de conexão até que, do outro lado da linha, uma voz simpática nos saudou com um sonoro “alô!”. Desculpava-se pelos problemas de conexão e o sotaque australiano não deixava dúvida. Era mesmo ela.

Talvez, entretanto, tão complicado quanto o início de nossa chamada foram seus últimos 365 dias. Considerada um ídolo absoluto, a rapper se auto-revolucionou ao romper com todas as prerrogativas impostas pelas gravadoras. Cansada de seguir regras, resolveu ditar suas próprias ao fundar a Bad Dreams Records, seu selo independente.

Como fruto deste ato de rebeldia contra a indústria surgiu “In My Defense”, disco que não direciona críticas escrachadas àqueles que tentaram domá-la, mas que reafirma sua liberdade artística, isolada de qualquer interferência. Um testemunho dos desafios que venceu por independência.

Com seu embarque rumo ao Brasil confirmado, Iggy diz: “Assim estou mais feliz do que nunca”. No próximo dia 15 de dezembro ela aterrissa no Espaço das Américas, em São Paulo, para se encontrar com uma platéia composta por fãs fervorosos com quem interage quase todos os dias pelas redes sociais: “Eles [brasileiros] são os mais loucos”.

Nesta rápida conversa, a cantora falou sobre o que espera deste debut nos palcos daqui, bem como sobre a maneira com que enxerga sua relação com as redes sociais. É por lá também que ela troca mensagens e faz elogios a Pabllo Vittar – com quem deve colaborar “assim que for possível”.

Papelpop: Logo mais você toca em São Paulo. As coisas não saíram como o planejado na última vez, mas agora finalmente vai rolar, todos estão felizes com a notícia… Posso dizer que você também está ansiosa?

IGGY AZALEA: Sim, claro! Estou muito ansiosa, porque mesmo que eu já tenha visitado o seu país, eu nunca tive meu próprio show. Este é o primeiro, o que me deixa bastante animada. Estou trabalhando pra que tudo seja perfeito, porque meus fãs brasileiros sempre foram grandes apoiadores e eu quero ter certeza de que teremos uma ótima experiência. Quero que sintam o quanto isso pode ser especial…

Já pensou no que quer fazer quando estiver por aqui? Quero dizer, pretende visitar algum lugar específico, turistar?

Eu sempre quis fazer um tour pelo Brasil, mas estou quase sempre trabalhando nas minhas músicas quando viajo, o que torna as coisas um pouco difíceis… Mas não descarto, se eu tiver a oportunidade nos dias em que estiver no Brasil, com alguns dias extras, com certeza vou querer fazer algo e querer conhecer mais do país (risos).

Você lutou bastante para lançar seu último álbum, teve que criar sua própria gravadora… Foi a melhor escolha? Você acha que isso trouxe mais liberdade, permitindo que você criasse suas músicas do jeito que sempre quis?

Sim! Essa escolha fez com que eu tivesse mais liberdade e estou muito feliz de ter feito as coisas desta forma. Aprendi muito ao tomar minhas próprias decisões. Você sabe, mesmo que a indústria às vezes faça com que nós nos questionemos sobre muitas coisas, agora não sinto aquela sensação de que não deveria ter feito algo. Amei muito o fato de agora ter minha própria gravadora, meus fãs também sentem que estou, de fato, aproveitando o processo, curtindo mais o que produzo… Por isso estou mais feliz que nunca. Tudo parece muito melhor.

A pauta agora é Pabllo Vittar. Todo mundo quer saber se vocês vão fazer uma canção juntas, o que você pode me contar sobre isso?

Sim… Eu só posso dizer que vamos, definitivamente, fazer uma canção juntas. Sim! (Risos). Eu acho a Pabllo maravilhosa! Temos o número uma da outra e nos falamos por telefone às vezes. Temos discutido sobre isso [featuring] e compartilhado algumas ideias, que continuam em estágio inicial. Eu acho que ambas sabemos que há uma grande ansiedade e uma expectativa enorme por parte dos fãs para que nós duas colaboremos, mas… queremos ter certeza de que será perfeito. Acho que esta talvez seja a única razão pela qual ainda estamos pensando nisso (Risos). Existe uma pressão, não sei quando vai acontecer ou quando vamos fixar esses detalhes. Envolve muitas emoções.

A propósito, os fãs brasileiros te amam muito, mas às vezes são difíceis de lidar nas redes sociais (risos). Como é sua relação com eles?

Bem, eu acho que os fãs brasileiros… são loucos (risos). Eu amo os fãs brasileiros, eles são os melhores, provavelmente meus maiores fãs. Eu conheço boa parte deles, sei os nomes, sei quando são daí. Acho que às vezes… bem, qualquer fã, não apenas do Brasil, dos EUA, ou da Australia, de qualquer lugar do mundo, pode deixar as coisas meio desconfortáveis, criar problemas, exagerar, mas não é algo que acontece só com brasileiros. Não é sobre sua cultura, todos nós somos humanos, então eu os adoro, eles sempre fazem uma promoção muito boa do meu trabalho.

Você disse há algum tempo que não se importa com o que pessoas negativas dizem nas redes sociais. Você chega a ler o que te enviam ou simplesmente diz “foda-se” e deixa isso pra lá?

Eu acho que minha primeira reação é dizer “Foda-se e deixa isso pra lá”, mesmo que às vezes eu me irrite. O que se escreve na internet não deve ser levado tão a sério, de um jeito tão duro. Agora eu não me sinto tão realmente perturbada com isso, sabe?

Para fechar. Você, Nicki Minaj, Cardi B, tem conquistado coisas incríveis, mas o rap ainda é dominado por homens. Quais obstáculos uma mulher ainda precisa enfrentar ao escolher o rap como seu gênero?

É maravilhoso ser uma mulher na música, e digo isso de modo geral, não só fazendo parte do rap. Me sinto abençoada por poder fazer música, é algo realmente mágico, mesmo que exista ainda um grande controle do conteúdo que você desenvolve, o que acaba dificultando seu trabalho. Por isso para mim foi importante criar uma gravadora, sabe? O rap, por sua vez, talvez tenha dado mais abertura agora para as garotas, algo que já era comum em outros gêneros, como o pop. Eu acho que o que falta agora é trazer essas garotas para outros espaços, digo, aquelas funções que em geral não aparecem tanto como a parte de produção. É importante não se apegar apenas à ideia de colaborar com outras mulheres na frente das câmeras, mas ter em mente que quando trabalhamos juntas, a mensagem é clara: estamos ajudando umas às outras a chegar a um novo lugar.

 

Os ingressos para o show de Iggy Azalea no Brasil ainda estão à venda e tem valores entre R$ 145 (meia-entrada) e R$ 850. Os bilhetes podem ser adquiridos tanto em ponto de venda físico, na Bilheteria do Espaço das Américas, quanto pela internet, no site da Ingresso Rápido.

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