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Quanto vale o amor pelo seu ídolo?

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Eu nunca vou entender quem dorme semanas na frente de um estádio para ver o show de qualquer pessoa. Sério. Pode ser Beatles, Madonna, Michael Jackson, Ru Paul, Led Zeppelin ou qualquer banda de K-Pop. Não preciso nem falar quem se dispõe para comprar um iPhone, algum jogo novo ou tirar a foto com alguma celebridade que faça bolos decorativos em canal da TV paga.

Neste fim de semana eu passei perto do estádio do Palmeiras, localizado na Zona Oeste de SP, e vi algumas barracas por ali. Perguntei para o taxista: ‘Cara, você sabe o que está acontecendo ali?’. E ele respondeu, sem titubear: ‘Estão há semanas para o show do Bieber’.

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Já falei sobre o Justin por aqui e acho que o canadense está no caminho certo, pelo menos na música. Depois ter uma juventude bem vivida e registrada pela imprensa, Bieber desembocou na vida adulta com um disco que chamou atenção do mercado de gente grande, o mesmo que há pouco tempo o desdenhava.

Por mais que ele não consiga comer um dogão, pegar um cinema ou fazer qualquer coisa sem ser reconhecido, o modo como ele trata fãs é nojento. Querendo ou não, a parcela da hipoteca dele está em dia por conta da legião que compra ingressos, ouve no Spotify ou compra qualquer souvenir que ele lança.

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Deve ser horrível amar um artista com todas as suas forças, seguir suas palavras como lema de vida e descobrir que ele trata os fãs como lixo. Esta forma não é uma exclusividade do rapaz. Eu lembro de uma lista que saiu na Rolling Stone há uns anos de um ranking de alguns artistas que brigaram com fãs. Por ali tinha chute na cara, empurrar o fã para o meio do fosso, atacar guitarra e outras coisas que eu fiquei perplexo.

Não existe algum lugar que obrigue o artista ser boa praça em todos momentos e vale lembrar que o fã tem que respeitar a sua privacidade, mas agir desta maneira é inconcebível.

Quando o fã tem culpa?

A Selena não tocou no Lolla, mas veio prestigiar o seu boy, the Weeknd. Fofo.
Os fãs irem ao aeroporto para recepcioná-la? Legal.
Levar cartazes para o festival pedindo show dela por aqui? Incrível.
Ir para a frente do hotel e se jogar na frente dos carros? Tosco, perigoso.

Eu realmente não consigo entender quem dorme em qualquer fila para ver ou comprar algo. Se arriscar assim por uma hora e meia com o seu artista não vale à pena. Só me faz perceber que amor de fã é cego, surdo, um tanto histérico e acima de tudo bem masoquista.

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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.

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