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The Weeknd também te pegou com “Starboy”?

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A tradução livre para Starboy é um cara pegador, interessado em farrear e estar com um(a) guri(a) diferente por noite, sem pensar muito no que vai acontecer pra frente. Para muitos, um ingrediente fundamental da vida de uma estrela, de alguém que esteja no centro dos holofotes. The Weeknd é um cara que desde a sua mixtape conta de forma bem intimista suas experiências amorosas que deram certo e também desilusões que machucaram o coração do peão.

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Em seu novo trabalho, o cantor canadense roteiriza a sua vida atual com muito grave e sintetizadores: grana, clubes, drogas, biritas, trepadas homéricas e como ele está reagindo com sua nova vida. Yep, nova vida. Por mais que ele já era um rosto conhecido, “Beauty Behind the Madness” e “50 Tons de Cinza” colocaram a vida de Abel Tesfaye em outro patamar. Hoje ele pode ser a atração principal num festival na América do Sul, Europa ou Oceania. Não soaria estranho dele emprestar a sua bela voz para projetos de grandes nomes como Madonna, Beyoncé ou Prince.

A sofrência é um assunto muito presente no sertanejo, mas também aparece em alguns pedaços de “Starboy”. Além de perder suas longas madeixas, o cantor se separou de sua guria Bella Hadid – que é o assunto de algumas músicas de Starboy. Por mais que em muitos momentos, o fera queira farra e uma zoeira da pesada, outros momentos ele só queria chegar em casa de boas, tomar uma ducha, comer um rango e dormir de conchinha, enquanto o zumbido do último show que ele faz vai embora com o sono. Podemos sacar isso em “Lonely Night”, “Die for You” ou “Noting Without You”. Se você der uma olhada a mais na capa, Weeknd está meio cabreiro com sua situação: batalhei anos para chegar no topo e o topo é assim?

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Para quem se assustou com o single “False Alarm” (quando eu ouvi pela primeira vez, eu pensei que poderia ser uma música do Bloc Party), o Weeknd continua com a mesma pegada de seus últimos trabalhos em sua estrutura. Beats para dançar com flertes de música eletrônica, R&B, soul e rap, tudo isso acompanhado de sua voz potente, doce e inebriante. É impressionante como ele banca o seu vozeirão.

Eu poderia falar de várias faixas do álbum sobre a qualidade vocal do mestre, mas eu prefiro bater na tecla de de “True Colors”. Para mim, o melhor e maior cantor que andou por estas bandas foi o Michael Jackson. Por mais que ele tivesse muitos problemas, dentro de um estúdio ou no palco, quem mandava era aquele magricela de meias claras e mocassim. Se lançassem esta música na rádio e falassem que fosse do Rei do Pop, eu iria cair nesta história. Fácil. Se alguém lança algo que poderia ser do MJ, só pode ser fora de série. E o Weeknd é o cara que consegue fazer isso.

The Weeknd é um nome disputado a tapas pelo mundo da música e não foi difícil convidar bons nomes para Starboy. A primeira participação foi entregue logo em seu primeiro single. Não é para qualquer um contar com o Daft Punk, magos da música eletrônica, para alguma cantiga. Mas o cantor tem fichas para contar com eles. Ao decorrer do trabalho, o Weeknd soube equilibrar bem os nomes de Lana del Rey, Kendrick Lamar e Future. Apesar da internet vir abaixo com as aparições da rainha indie, o que mais combinou dentro do contexto do disco foi o rapper Future, um dos defensores do autotune ao lado de T-Pain.

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Nada mais natural de fazermos comparações de “Starboy” com “Beauty Behind the Madness”, certo? Afinal, este foi o trabalho que colocou o The Weeknd no mapa. O cantor seguiu um discurso muito utilizado no campo esportivo: em time que está ganhando não se mexe, nenhuma vírgula. A estrutura das músicas seguem o padrão R&B meloso com um refrão pegajoso. Algumas feitas para funcionar nas pistas de dança e outras mais calminhas para embalar noites, digamos, quentes mundo afora.

Ainda de lambuja, ele entregou um teaser de 10 minutos de um vídeo apresentando o disco. Eu achei este truque bem interessante e imagina se a moda pega? Deve ter muita gente que fica com uma baita preguiça de ouvir um disco inteiro. Por mais que tenha gostado de um single, hoje é cada vez mais díficil alguma pessoa ouvir o disco de cabo a rabo. Ainda mais numa era onde o consumo é muito forte por playlists, os artistas/selos pensam em alternativas para que os fãs consigam ouvir um trabalho por completo. O álbum visual, termo que está na moda, é uma ótima alternativa para prender a atenção num cenário que o fã é impactado com uma porrada de coisas como Instagram, Snap, Face, Twitter, PornHub, Netflix…

No fim das contas, ao ouvir o disco milhões de vezes, entende-se o que The Weeknd quis dizer com “Starboy (Pegador)”. A música dele é tipo uma conquista. Na primeira audição é tipo um xaveco: você vê que tem algum potencial, mas não dá tanta bola. Na segunda, tu ouves com mais atenção e fica na dúvida: gostei ou não? Na terceira orelhada começa a interagir com o som e até arriscar uns passos. Da quarta em diante, a paixão já aconteceu e você não percebeu nem como.

Já escutaram o “Starboy”?

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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

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