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Qual foi o hit de 2016?

Após ouvir e escrever sobre o novo disco do Luan Santana na semana passada, o meu player de música passou a sugerir uma imensidão de sertanejos para eu conhecer ou começar a curtir. Eu assumo que não é meu ritmo favorito, mas ouvi bastante coisa durante a semana e cai em verdadeiros hits que não fazia ideia. Marília Mendonça, Naiara Azevedo, Simone e Simaria, Bruninho e Davi, Humberto e Ronaldo… Você pode até torcer o nariz para esses embalos caipiras, mas o espírito musical do brasileiro é dividido nos seguintes segmentos: sertanejo, pagode e funk.

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Por mais que você tenha Spotify ou acompanhe os clipes pelo YouTube, o bom e velho rádio ainda é um bom termômetro para desvendar quais são as músicas que estão bombando. Dentre as faixas mais executadas em 2016, o top 10 tem NOVE sertanejos na lista. O estranho no ninho desta lista é a Anitta. Apenas. Claro, existe um esquema forte nos bastidore$ para promover a música, mas, ainda sim, o rádio tem a sua força.

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O hit do ano deve ser aquela música que você reconheça a quilômetros de distância. O hit do ano é aquela música que o cantor no barzinho tem que tocar para animar as mesas. O hit do ano é a cantiga que o DJ tem obrigação de tocar na pista, mesmo que não queira. O hit do ano não precisa estar na trilha sonora da novela das oito. O hit do ano tem que ter memes que você recebe por WhatsApp no grupo da família ou do trabalho.

Eu vou separar o hit do ano brasileiro e internacional. Para mim, por estas bandas, o hit do ano é ‘Malandramente’, composto por Dennis DJ, Nandinho e Nego Bam. Sem sombras de dúvidas. Veja bem: não estou colocando a música nesta posição por qualidade musical ou merecimento do artista, mas ela atende a todos quesitos do último parágrafo. A letra, fictícia, conta a história de uma guria que seduz os MCs em uma festa e que, na hora da ação, resolveu dar um pivô e ir embora.

É muito bizarro como algo tão simples e bobo, possa se transformar num monstro e se alojar na cabeça de tanta gente. Busque em sua cabeça ou no Google sobre os últimos hits que emplacaram em solo brasileiro, eles seguem a mesma métrica. A função do compositor é externar uma ideia ou pegar informações de fora. E é o que Dennis DJ conseguiu com Malandramente.

Uma das maiores premiações do Brasil, o Prêmio Multishow, divide a categoria de Melhor Hit entre o voto popular e o juri especializado. De acordo com os gabaritados, a música do ano foi Playsom, do Baiana System. É uma banda que tem um dos melhores discos deste ano, o Duas Cidades, e um dos melhores shows também. Ninguém entendeu muito bem o porquê desta banda levar o prêmio, mas ainda tinha o voto popular e deu Wesley Safadão… É interessante que o tal do júri traga bandas que causem estranhamento e curiosidade para o público. Se 10% do público do Multishow ouvir algo do Baiana System é uma grande vitória.

Pop conceitual

Eu não sei quem começou com esta história que o pop está chato, pois tudo é conceitual (tema abordado em outra coluna por aqui). Turma, o pop sempre foi conceitual. Desde Madonna, Prince, Michael Jackson, Destiny’s Child e até o É o Tchan lançaram discos que contam uma história ou seguem uma linha temática. Ponto.

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Nesta temporada tivemos discos de Beyoncé, Lady Gaga, Ariana Grande, Britney Spears, Sia e Fifth Harmony. Estes trabalhos tiveram um bom desempenho nos charts, ganharam menções honrosas em publicações e prometem boas turnês ao redor do globo em 2017. Dentre estes nomes, para mim, a Beyoncé lançou o disco mais completo e fica entre os grandes lançamentos do ano. Mas se você for pegar o álbum, não existe alguma música poderosa como ‘Single Ladies’ ou ‘Crazy in Love’. Lemonade é poderoso pelo conjunto da obra, do começo até o fim.

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O grande hit de 2016 é Work, da Rihanna. Sem sombra de dúvidas. Por mais que a faixa esteja dentro de um disco não tão pop assim (tem até cover do Tame Impala), Work ganhou vida própria. Como em ‘Take Care’ e ‘What’s My Name’, a parceria com o rapper Drake foi um estrondoso sucesso. E isso não é sorte de principiante.

A cantora é conhecida por emplacar singles com doses cavalares de sensualidade em torno de uma voz enebriante. Foi assim em Umbrella, Take a Bow, Diamonds, Stay, We Found Love. Quando eu ouvi o disco pela primeira vez, a faixa chamou atenção, mas eu não colocaria entre as músicas mais marcantes do ano. Podemos colocar aqui o fator surpresa. Algo que não tem alguma explicação e, simplesmente, acontece.

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Construir um hit não tem receita ou fórmula criada em laboratório. Você pode estar no melhor estúdio com o melhor produtor e músicos, isso não garante que a sua música seja um grande sucesso. E isso é o que dá gana para artistas, selos e o mercado continuarem produzindo. Agradecemos.

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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

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