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E quando a treta vira música? Gostamos!

A música brasileira dos anos 90 foi marcada por alguns fatores como a explosão de grupos de pagode que tinham a coreografia (dois passos para direita, dois passos para esquerda), a consolidação de grupos de axé que tinham alguma coreografia de cunho sexual (É o Tchan, Terra Samba, Netinho).

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Fora de nossos limites territoriais, o grunge ditava o ritmo trabalhado em estampa flanela com conjuntos musicais como Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e o rap também atravessava uma fase de ouro. Não por conta dos adereços usados pelos músicos, mas foi uma safra onde tivemos Tupac Shakur, Yaki Kadafi, The Notorius BIG, Stretch… Esta sequência de rappers citados foram brutalmente assassinados, pois havia uma grande rixa entre West Coast x East Coast. Diferentemente da época que vivemos hoje, onde as brigas estão abrigadas em até 140 caracteres, a turma não pensava duas vezes em pegar numa arma para acertar as contas.

O rap brasileiro também teve os seus momentos de treta forte na mesma época que o bicho pegava nos Estados Unidos. Aqui não era rap ostentação, e sim, o retrato da realidade urbana e periférica das grandes capitais. Hoje é comum ter rap em programas dominicais, capa de revista e tocando em clubes de garbo e elegância. No segundo semestre deste ano, começou uma rixa entre grupos do Nordeste e Sudeste. Em nenhum momento armas de fogo ou brancas foram usadas no embate, mas os grupos decidiram gravar músicas tirando sarro do amiguinho que vive na outra região.

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Pra quem tem um pouco de vivência no rap ou assistiu “8 Mile” (risos), sabe que ao adentrar o terreno de rinhas de MC’s, a parada é pesada e ganha o mais rápido, criativo e que tem o melhor domínio do dicionário. Muita das vezes, o músico descamba para o pessoal e ‘tira onda’ de sotaque, atributos físicos, gênero, cabelo e por aí vai. A rusga tem Baco Exu do Blues, boa novidade do rap nordestino, com alguns nomes como Costa Gold e Nocivo Shomon.

Depois teve resposta da galera de Sampa, mêo.

Pela repercussão que a música até o momento, é de se pensar que uma faixa como essas serviu de abre-alas para conteúdos que estão feitos em outras praças. Não estou falando apenas de rap. Tem tanta coisa sendo feita em Belém, Rio Grande do Sul, Brasília, Acre, mas não somos impactados ou falta interesse mesmo. Ficamos no mundinho do que vem pelas majors e tem muita coisa boa que se perde.

Vale destacar que o nordeste está produzindo raps de primeira linha há boas temporadas, mas não emplaca como os grupos do eixo Rio-São Paulo. Além do sotaque arrastado, as letras e beats são muito interessantes. Para mim, a cantiga ‘999’ é uma mistura que deu muito certo:

Não matando amiguinho, eu acho bacana este tipo de rivalidade. Se existe produção de músicas novas para o público é algo saudável. Agora se fica apenas naquele chove, mas não molha nas redes sociais é meio triste. Mandem bala na música, aquela bala que não mata ninguém, ok?

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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

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