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(Foto: Raul Aragao/ I Hate Flash)

Você pagaria 400 reais num festival sem saber das atrações?

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Ir a um festival no Brasil é algo que requer planejamento e sangue frio. O primeiro item deve ser levado à risca, pois os valores são um pouco salgados e parcelar/juntar o montante do ingresso deve ser feito com antecedência para não comprometer o orçamento de quem esteja interessado em ver algumas bandas. O segundo item, e mais difícil, é sangue frio. O anúncio da venda de ingressos do Lollapalooza Brasil foi feito na semana passada e, no dia 12 de setembro, o primeiro lote estará disponível para os fãs. Até aí, tudo bem. Mas você desembolsaria 400 reais para um evento sem saber quem vai tocar nele? É claro, estamos falando de uma marca reconhecida no calendário, mas é uma aposta bem alta, não?

A sexta edição do evento vai acontecer nos dias 25 e 26 de março de 2017, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. O que mais me intrigou com a newsletter sobre o festival é que não tinha previsão do anúncio do line-up. Apenas “Informações sobre o line up serão divulgadas em breve”.

Até o momento, temos apenas especulações sobre as principais atrações: Metallica, Strokes e Rancid.

Como eu já vi as duas primeiras bandas em outras ocasiões, eu apostaria neste primeiro lote para ver Tim Armstrong e a sua gangue de perto. Como o Rancid fez parte da minha adolescência, seria algo que faria sentido para mim cantar músicas como ‘Ruby Soho’, ‘Time Bomb’ ou ‘Fall Back Down’. Outro nome que está no radar da boataria é o The Weeknd – conhecido por ter um dos melhores shows da atualidade. Você teria alguma dúvida em comprar o ingresso para assistir a um show desses?

Outro festival bacana em nosso calendário que tem o mesmo roteiro é o São Paulo Jazz Festival, previsto para novembro. No site oficial da festa tem tudo menos quem vai tocar… Eles até disponibilizam um super ingresso com acesso ao camarim, camiseta, melhor lugar da casa, open bar, mas não existe um nome sequer dentro do evento.

O processo natural de um festival é ‘vender’ informações importantes para formadores de opinião, influenciadores ou algum veículo de mídia que tenha a ver com o público que eles queiram atingir e alavancar a venda das entradas. Um nome que sempre acerta nos chutes sobre a confirmação de algum festival/banda que venha tocar por estas terras é o José Roberto Flesch, do Destak. Os chutes tem sempre um destino certo desde os tempos de Tim Festival, Monsters of Rock e Lollapalooza. O Lúcio Ribeiro também é um nome que sempre chuta e acerta alguns palpites sobre os shows do nosso calendário. Agora é uma situação complicada confiar num tweet ou um post e comprar as entradas do show, não?

Revender ingresso. Quem nunca?

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Mesmo sem anunciar nomes, o Lollapalooza consegue vender o primeiro lote de uma forma fácil e rápida. O fã prefere pagar um pouco mais barato no ínicio de vendas e esperar um pouquinho para saber das atrações. Se tiver algum nome que goste é guardar o ingresso a sete chave e esperar até a fatídica data. Se o line-up for fraco, ele não terá problemas em passar pra frente – às vezes cobrando um valor até mais alto. Vale lembrar que é uma prática ilegal, mas tem aquela história da oferta e procura (demanda).

É a cena mais natural de qualquer porta de show ou festival por aí. Eu comprei apenas uma vez desta maneira e, graças a Jah, deu tudo certo. Eu tinha meu ingresso garantido para a primeira vinda do Arctic Monkeys por estas bandas, mas o meu irmão não. O quarteto se apresentou no finado Tim Festival com Bjork, Hot Chip e Killers. É uma situação bem escrota comprar nestas condições. Você tem que pagar em dinheiro vivo, lidar com uma pessoa que pode sair correndo ou dar um ingresso falso.

Por que o ingresso é tão caro por aqui?

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Quando era bem moleque, eu ficava bolado por ter uma prima que morava na Europa e tinha acesso a tudo. Eram filmes, roupas e, claro, shows. O panorama foi mudando a partir do comecinho dos anos 2000 para mim. Quando estava no meu primeiro estágio e curtia uns rock indie, sempre via umas bandas que eu carregava em meu mp3 player tocar em inferninhos. Tocar no Brasil deve ser um bom negócio para as bandas.  O fã brasileiro é o que desembolsa o maior valor de uma mesma atração oferecida em outros países.

Vamos pegar um exemplo. Entre setembro e novembro de 2014, o Arctic Monkeys realizou apresentações nos Estados Unidos, Colômbia, Argentina, Chile e Brasil. Em São Paulo, o ingresso mais barato custava 264 reais (220 reais da entrada  + 44 reais de taxa de INconveniência) e os mais caro 840 reais (700 reais da entrada + 140 reais de taxa). O cenário na Argentina era completamente diferente para ver Alex Turner e companhia. Para o show em Córdoba, os ingressos, já com as taxas, custam entre 460 e 920 pesos (entre 124 e 248 reais).

Eu não acho justo com o público liberar as vendas dos ingressos sem o anúncio de um nome sequer. Por mais que um festival venda a experiência/hype, fechar os olhos e investir num ingresso é loucura sem tamanho. Por mais que você possa comprar um pouco mais caro, mas sabendo o que vai ver é a melhor saída. Ou melhor: ao invés de deixar a informação com o amiguinho, compartilhe com os fãs :)

 


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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

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