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Já ouviu falar da Música Brasileira Tombadora?

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Dava tanta coisa, dava nó de nós
De nós, de eu

Liniker e os Caramelows vão dar um nó com “Remonta”, prevista para esta sexta-feira.

“O meu trabalho fala muito mais que brinco e um batom escuro”. Essa frase foi dita em uma entrevista do cantor em um programa da TV Brasil e resume muito bem o que ele quer de sua carreira. O primeiro álbum de Liniker e os Caramelows chega no fim desta semana e é um dos mais aguardados do calendário. Intitulado “Remonta”, o disco sucede EP “Cru” – composto por apenas três músicas e botou o posicionou como uma das maiores promessas da música brasileira. As canções sao todas em português e contam um pouco sobre as suas relações de amor, assuntos corriqueiros no music business, mas com o Liniker é diferente.

Ele traz a discussão de gênero, algo que a sociedade está aprendendo a lidar – com músicas sinceras, dancantes e, ao mesmo tempo, potentes. São diversas quebras de paradigmas com este disco. O papel dele é fazer musica, apenas. Mas como uma figura que influencia tanta gente, Liniker levanta alguns assuntos importante como o fato de ser pobre e preto fazendo musica. Ou fato de ser gay assumido e fazer musica. Ou tambem trazer à tona a discussão sobre gênero. Este combo poderia ser vendido como forcação de barra, mas para quem já trocou uma ideia com ela, é algo simplesmente sincero.

“Nossa, mano! Ontem eu fui num show com a Luty e ficamos desacreditados. Era um negrão com uma baita voz e um vestidão. Foi foda.” Foi assim que eu conheci o Liniker. Ele já tinha soltado o EP e depois desta introdução feita pelo meu compadre, fui buscar um pouco mais sobre o som dele. As três faixas de “Cru” e os vídeos que tem no YouTube deixam um sabor de quero mais.

A chegada do álbum e este buzz em cima dela e dos Caramelows parece ser algo criado do nada, mas a “correria” da banda acontece há muitos carnavais. As músicas comecaram a tomar forma ainda em Araraquara, cidade do interior de São Paulo, lugar onde Liniker descobriu que tinha vocacão para compor e cantar. Também nesta época, ele já atuava no teatro e dançava. Foi apenas uma questao de tempo para reunir estas aptidões e partir para os palcos.

Eu gosto muito quando tentam rotular o som que o Liniker faz. Nova MPB? Novo Soul Brasileiro? Acho que poderíamos colocar o som na categoria Música Brasileira Tombadora. Ao lado de Liniker, Ava Rocha, Jaloo, Tassia Reis, Rico Dalasam, Mahmundi, Brisa Flow, Johnny Hooker e Rafael Castro sao outros artistas que utilizam o combo visual, letras e engajamento como forma de afirmação na luta contra o preconceito. A discussão de gênero parece ser um assunto que lidamos bem, mas estamos caminhando de forma devagar.

Vale lembrar que no começo do ano, tivemos um quebra-quebra no Piauí. O motivo? A Câmara de Teresina decidiu arquivar o Projeto de Lei que proibia a discussão da ideologia de gênero nas escolas públicas da capital. Antes de iniciar a discussão do projeto no plenário, houve muito bate-boca e tumulto em frente à Câmara. Uma manifestante contrária ao PL chegou a ser agredida por um apoiador da proposta e a polícia teve que intervir para acalmar os ânimos no local. Lamentável.

Deve ser algo incrível que está passando na cabeca da Liniker. Pouco tempo atrás, o cantor tinha vergonha de suas composições pelo fato de vir de uma familia de músicos e demorava para mostrar o que tinha em mãos. Hoje, o público está sedento por suas novas composições. O nascimento de “Remonta” não poderia vir por outro lugar: financiamento coletivo por fãs que acreditam no seu trabalho.

Assim, Liniker lança o seu álbum para embalar os ouvidos e mentes modernas e bater de frente com o pensamento enferrujado de pessoas que insistem a fazer o oposto que ele: não se permitir renovar.

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