Menu Papel POP

Meu artista não foi indicado em uma premiação. Fico puto ou de boas?

MAIS SOBRE:

Sem dúvidas, o Video Music Awards (VMA) é uma das principais premiações do nosso calendário musical. Por mais que a MTV tenha perdido um pouco da sua relevância nos últimos anos, muito por conta do jeito que consumimos música hoje em dia (leia-se YouTube e plataformas de streaming).

No entanto, ter um astronauta de prata na estante é coisa séria para muita gente. As indicações do VMA saíram na semana passada, mudando o ânimo dos fãs e alguns artistas. Todos nós sabemos que o lema: “o que vale é competir” é uma grande besteira. No final das contas, a mais pura verdade é que todos querem ganhar.

O que faz um artista ou banda estar entre os selecionados? Primeiramente, fora Temer. Segundo, eles precisam de um clipe bacana e de preferência, algo que rodou a programação da emissora. Também podemos colocar na balança a relação do artista com o público da MTV.

Ele tem engajamento nas redes sociais? Está com uma agenda de shows bacana? Nick Jonas cumpre com todos estes requisitos? Sim! Ele foi selecionado? Não! Com este desfecho, o menino esbravejou em suas redes sociais e isso foi feio, cara.

Nick-Jonas-

Ao sair do Jonas Brothers (programa de TV > banda), ele lançou o disco solo “Nick Jonas”, em 2014, e esse ano, ele estreou com o álbum “Last Year Was Complicated”. Quando eu li o título deste disco, eu pensei: Como o ano dele foi complicado? O cara nunca teve que lavar uma cueca ou se preocupar em pagar o aluguel.

Enfim, o álbum é um grande avanço do que ele fazia com os seus irmãos, mas vai demorar mais alguns trabalhos para ele ser levado a sério. Foi assim com o Justin Timberlake e demorou umas boas temporadas para o Justin Bieber. Esta reação é uma característica de moleque mimado, que nunca ouviu um não dos pais.

Outra artista que ficou bolada em não participar da festa, mas por motivos mais nobres, foi a M.I.A. A cantora achou que os jurados do VMA são elitistas, racistas e sexistas por excluir o clipe de ‘Borders’ na festa.

Para quem não viu, a produção aborda a questão da crise migratória, criticando a postura de líderes políticos do velho continente, e a construção de cercas nas fronteiras para impedir a entrada de imigrantes.

A cantora entendeu que ficou de fora por não ser americana e que o VMA atende apenas uma patota protegida. “Não estou aqui por ego ou para ganhar elogios”, contou a cantora em sua conta no Twitter.

mia

Eu trabalhei na MTV Brasil por uns bons anos e pude acompanhar de perto seis Video Music Brasil a.k.a. VMB. No meu primeiro ano por lá, eu era estagiário de um setor chamado TAR, que era responsável por receber os clipes, fazer relacionamento com os artistas (Tem disco novo? Vamos lançar tal clipe em tal programa?), além de outras funcionalidades dentro da empresa e com selos/gravadoras.

O processo de seleção do VMB envolvia todos os departamentos da empresa e era uma força tarefa gigante. Existia um prazo limite para inscrição (mais ou menos uns 60 dias antes do VMB) e recebíamos baciadas de bandas com os seus clipes. Por mais que as escolhas ficassem em torno dos grupos que tinham uma vivência dentro da MTV, tudo era visto. Eu achava louvável qualquer tipo de banda poder disputar, mesmo sem ter gravadora (fator que ainda pesava na época).

Como o Nick Jonas, tinha banda que ficava muito puta em não participar da festa. Por ser uma das pessoas que recebiam os clipes, sobrava até pra mim. “Você tem noção o quanto eu gastei para ver um clipe der merda no meu lugar?”. Era daí pra baixo. Agora, o que fazer com uma informação dessas?

Eu acho muito difícil que no VMA do ano que vem, o juri vá parar e pensar: “Galera, no ano passado deixamos o Nick Jonas de fora. Que tal o colocarmos em diversas categorias para ele ficar feliz?”. Isso não existe, em nenhum lugar.

Qual é o moral da história? Ficar de boa, pois a hora do artista vai chegar. Botar pressão em qualquer premiação vai apenas queimar o seu filme. Imagina você participar de uma seleção para uma vaga de emprego e falar super mal do lugar que não te aceitou? Trabalhe mais, pense o porquê de não ter escolhido e tente na próxima. Simples.


brunno-constante-colunista-papelpop
O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

Comentários

Topo