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Quantos livros você leu este ano?

Saber de alguma história por trás de uma música que virou um estrondoso hit. Entender o motivo que levou uma banda brigar com outra nos anos 80. Buscar a história de um cantor de blues que influenciou grandes cantoras do mundo contemporâneo. Essas e outras boas histórias podem ser descobertas num ato anacrônico que nós brasileiros fazemos pouco: ler um livro. Além do Video Music Awards, neste fim de semana começou uma das maiores feiras de leitura da América Latina. Se você quer ouvir alguma música nova, basta acessar a imensidão de músicas no seu aplicativo favorito. Se você quer assistir alguma série ou filme, YouTube e Netflix dispõem de um cardápio parrudo. Se você quer ler um livro…? Terá que desembolsar um valor alto comparado com qualquer serviço citado e escolher muito bem a história na qual quer embarcar.

Desde a minha época do colégio, falam que a nova geração lê cada vez menos ou que o livro tem os dias contados. Essa história de que o hábito de ler vem de casa, faz total sentido e a Unesco assina embaixo. Estimular a leitura com assuntos que a pessoa tenha interesse pode dar mais certo do que enfiar goela baixo livros do século 19. Eu tinha uma professora que tinha esta linha de raciocínio. Na minha época nem existiam smartphones, perdíamos a atenção na aula por conversar ou fazer alguma zoeira. Seria difícil chamar atenção de todos os presentes com algo: ‘Galera, vamos ler este “Dom Casmurro” em silêncio pelos próximos 45 minutos’. A estratégia era que você podia ler uma revista ou qualquer livro até a metade da aula. Bem, depois tinha um teste para saber se você leu mesmo.

O que importava ali era criar um hábito. Hoje, muita gente está criando este vínculo com a leitura com youtubers. Não podemos negar que eles são o principal fenômeno da cultura pop brasileira das últimas temporadas. Jout Jout, Kefera Buchman, PC Siqueira, Viih Tube… Com milhões de fãs em seus canais, eles foram convidados pelas editoras para repetir o sucesso nas prateleiras. Se você prefere apenas assistir o seu youtuber favorito e procura algo musical para ler, eu separei uma breve lista de alguns livros relacionados a música que você precisa ler:

“Como a música ficou grátis?” – Stephen Witt

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Eu já fui aquele indie chato que sabia da última sensação da terra da rainha ou tinha algumas músicas de alguma banda obscura da escandináva. Se o FBI entrasse na minha casa ou no meu serviço, iriam levar gigas e mais gigas de música pirata com eles. Numa época sem streaming, o MP3 reinou por um bom tempo. O livro revela os bastidores da ciência e do mundo das inovações tecnológicas. Existe uma análise não apenas sobre o consumo de novas tecnologias, mas do comportamento social que foi mudando num curtíssimo espaço de tempo. Leitura fundamental para que os interessados em música, saber a importância entender o que rola no mercado, e não só os méritos artísticos de um produto ou artista, ao discutir a música.

“Abutre” – Scott Heron

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Os ingredientes da trama de Scott Heron, poeta e músico norte-americano, são os relacionamentos amorosos, a interferência do tráfico de drogas, a violência policial, o racismo, as tretas de negros contra negros e também a outros grupos étnicos. “Abutre” tem ritmo e um fôlego de fazer o coração sair pela boca. Vale lembrar que ele tem uma discografia impecável e que é objeto de estudo por parte de grandes produtores. Você pode até não sacar o nome logo de cara, mas deve ter ouvido alguma batida ou palavra dele em algum sample escondido em alguma música.

“Love & Rockets” – Los Bros Hernandez

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Eu peguei este livro emprestado de um amigo da faculdade e não devolvi até hoje (espero que não leia esta coluna). Sou muito fã de quadrinhos e este foi o meu primeiro contato com uma linguagem mais subversiva. Por mais que seja uma série feminista e revele detalhes íntimos do mundo das mulheres, o livro é feito pelos irmãos Jaimem Mario e Gilbert Hernandez, conhecidos como Los Bros Hernandez. As histórias mesclam problemas corriqueiros, cultura pop e ficção científica. A série foi uma das primeiras a levantar bandeiras importantes como LGBT, empoderamento feminino (a primeira vez que ouvi esta palavra foi num no Love & Rockets), drogas, sexualidade e outros tabus presentes nos anos 80.

A média de leitura do brasileiro é de 1,7 livro por ano. E aí? Você já leu o seu?


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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.


* A opinião do colunista Brunno Constante não necessariamente representa a opinião do Papelpop. No entanto, por aqui, todas as opiniões são bem-vindas. :)

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