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Quando começamos a levar o Justin Bieber a sério?

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Num passado não muito distante, o que você costumava ler sobre Justin Bieber era sobre o seu comportamento arredio em meio às suas turnês, como ele conseguia manter a franja impecável ou como estava o seu namorico com a cantora/atriz Selena Gomez. A sua música vinha em segundo ou terceiro plano. A adolescência é um período árduo e para o canadense não foi diferente. Depois ter uma juventude bem vivida e registrada pela imprensa, Bieber desemboca na vida adulta com um disco que chamou atenção do mercado de gente grande, o mesmo que há pouco tempo o desdenhava.

Para escrever sobre o Bieber nesta semana aqui no Papelpop, sincronizei todos os discos do cantor e comecei a ouvir. Ao invés de iniciar a audição por “Purpose”, preferi pegar o primeiro disco dele, “My World”. Na verdade é um EP com sete músicas e a minha massa cinzenta reconheceu apenas “One Time”. É muita loucura pensar que esta faixa foi lançada em 2009, parece muito mais velha. Nesta época, o guri tinha assinado o seu primeiro grande contrato com uma gravadora, graças a um vídeo dele que bombou no YouTube. Usher, que de bobo não tem nada, foi o mentor de Bieber no começo de sua carreira. Não é à toa que ele largou o rapper dois discos depois. Este trabalho parece ter sido gravado em 96, 97. As referências de boy bands sobressaem neste disco, sem contar com uns sintetizadores e baterias eletrônicas bregas que te perseguem durante o álbum.

Hoje ele consegue trazer pessoas que ele costuma ouvir para participar em suas músicas, nada mais natural. Mas, na época que ele bombou, creio que seria difícil bater de frente com quem controlava a sua carreira. “Galera, tem certeza que este é o caminho que devemos seguir? Estas batidas não são cafonas?”. Em entrevistas, o cantor fala que o começo na música foi difícil e ele se sentiu deslumbrado em ter um batalhão de gente para trabalhar com ele. O cantor ainda continua com um staff grande, mas agora ele está presente em cada detalhe da parte musical. Seja encontrar com Diplo e Jack Ü para falar sobre um remix, discutir com Kanye West qual participação que ele deveria trazer ou praticar ioga com o guru Rick Rubin para sentir as nuances de seu novo trabalho.

A virada do menino foi com o disco “My World 2.0”, lançado em 2010. As publicações ainda tentavam decifrar o menino que curtia tocar violão e postar vídeos no YouTube, quando foram bombardeadas por um single estrondoso: “Baby”. A faixa bateu todos os recordes possíveis e um intrigante: este é o vídeo com mais dislikes da história do YouTube. Eu não entendo até hoje porque tem a participação do Ludacris nesta faixa. Ok, ele fazia parte da mesma gravadora de Bieber, mas colocar aquele fera para cantar: “Luda! Quando eu tinha 13, eu tinha o meu primeiro amor / Não havia ninguém comparado com o meu bebê”. Cara, isso é muito estranho. Enfim, a pegada do disco continua com um semblante dos anos 90 que Usher não consegue largar, mas cumpre o papel número 1 de um álbum pop: grudar em sua cabeça.

Quando todos pensavam que ele iria lançar mais um disco pop com algum single na pegada de “Baby”, Bieber jogou um balde de água fria com disco natalino chamado “Under The Mistletoe. É um disco que tem todo o cenário brega que o Natal necessita como agudos de Mariah Carey, R&B grudento do Boyz II Men e baladas na viola. O cantor é um grande fã de rap, ele começou a cantar por conta de Eminem e Tupac Shakur, mas nesta época ele ainda não tinha desenvolvido o mojo para se aventurar nas batidas do hip-hop e isso é claro na música “Drummer Boy”, que tem a participação de Busta Rymes. Ainda em sua discografia, ele demonstra um melhor rendimento com rap como no disco “Journals”, onde ele chamou um batalhão de grandes figuras como Big Sean, Lil Wayne, Chance the Rapper e R. Kelly. Foi neste período que ele ficou brother do Diplo, produtor que abriu a cabeça do garoto para novos sons.

A transição de Justin Bieber para a fase adulta pode ser comparada com que o seu xará, Justin Timberlake, passou quando saiu do Nsync, boyband que dividia as atenções de adolescentes no final dos anos 1990. Ele era o único cara da banda que realmente podia cantar, estava envolvido na produção de todos os álbuns do quinteto, mas, quando ele anunciou a sua carreira solo, a recepção não foi das melhores. Antes de ser abraçado pela crítica com “Futuresex/LoveSounds” e “The 20/20 Experience”, o debute solo do cantor fez sucessos em rádios, encheu estádios, vendeu bons lotes de discos, mas ele ainda era visto como o cara do cabelo enroladinho que ficava com a Britney.

“Purpose” é o melhor momento da discografia de Justin Bieber, sem dúvidas. A maior parte do público está consumindo os certeiros singles que foram escolhidos para promover o álbum como “Sorry”, “Where Are Ü Now” e “What Do You Mean”, faixas fortes que conseguem traduzir a nova fase do rapaz. Quem for ouvir o disco na íntegra, vai ver que tem umas barrigadas como em qualquer disco dele, como “Children”.

Justin Bieber tem apenas 22 anos e está no show business há quase uma década. Uns vão apontar o amadurecimento dele quando o jovem parou de ser produzido pelo Usher, ou quando ele começou a andar com uma galera cool do entretenimento. A ficha de Justin Bieber caiu quando ele começou a não se levar tão a sério e não ficar puto com o bullying que sofreu por “Baby” e fazer coisas como essa:

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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras.

Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.

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