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O Grammy é sempre justo ao premiar os artistas?

É sempre assim. A premiação do Grammy deixa em frenesi fã-clubes ao redor do globo, movimenta Facebook/Twitter/Instagram com uma enxurrada de posts e canais pelo mundo inteiro se esforçam em falar de artistas que nunca abordaram durante a sua programação do ano. Em sua 58ª edição, a festa do gramofone dourado continua uma incógnita para muitos, em diversos aspectos. Em primeiro lugar o número de categorias. Antes de pintar na telinha, com os shows principais e discursos pomposos, o Grammy rebola para atender as suas OITENTA E TRÊS CATEGORIAS (a cada ano muda pouquinho, mas sempre é um número bem absurdo).

Por que diabos eles precisam de tantas categorias? Não sei se alguém já contou este segredo para você, mas o Grammy nasceu para celebrar as vendas de discos das grandes gravadoras. A venda dos tradicionais álbuns está caindo ladeira abaixo, mas o digital cresce a cada temporada. Se tem dimdim entrando, há motivo para comemorar numa festa onde rola um cigarrinho de artista, onde todos botam uma beca invocada (como diria aquela cantiga do sertanejo), tomam uns bons drinques e fazem poses bem irreverentes para as câmeras.

Quem vende mais discos, leva mais estatuetas?

Se fosse seguir o roteiro, aquele de quem vende mais discos, leva mais estatuetas para o seu cafofo, Taylor Swift ganharia de todos com uma grande folga. O álbum “1989” não está disponível nas plataformas de streaming (leia-se Spotify, Deezer ou Apple Music), mas foi bem nas prateleiras das melhoras lojas do ramo. O trabalho da loiraça vendeu mais de 6 milhões de cópias na última temporada e rendeu alguns hits como “Shake It Off”, “Blank Space” e “Bad Blood”.

Isso tudo é muito bonito, mas quem correu pelas beiradas e abocanhou 11 indicações nesta noite de puro garbo e elegância foi Kendrick Lamar. Em seu terceiro álbum de estúdio, o rapper lapidou uma obra prima que aborda assuntos que estão escancarados no dia-a-dia de um jovem que vive numa metrópole com preconceito, depressão, política, grana, drogas.

Por mais que todo este discurso seja envolto no rap, o trabalho bebeu do jazz, rock, soul, funk (e aquele funk que não se trata de Baile de Favela ou MC Brinquedo). Um novo clássico. Mesmo assim, o rapaz perdeu a categoria de Melhor Disco para a Taylor Swift.

Eu até imaginei o Kanye West entrando em cena para fazer justiça com as próprias mãos, mas não ia cair bem fazer isso pela segunda vez, né?

 

Beatles já levou prêmio de artista revelação, assim como Meghan Trainor

A escolha de Meghan Trainor como Revelação deve ter surpreendido até os pais da garota, que provalvemente estavam dormindo em seus aposentos enquanto a sua filha levava o prêmio. Nunca se esqueça, o roteirista do Grammy é uma pessoa que leva a zoeira em um nível EXTREME HARD.

Por mais que os Beatles, Cyndi Lauper, Lauryn Hill e outros grandes nomes ganharam moral nesta categoria, outros também agonizaram. O vencedor desta categoria poderia ser a australiana Courtney Barnett por apresentar um début com letras espertas e um indie rock sem cair no blasé, mas não aconteceu.

Kanye West já perdeu para o Maroon 5. Christina Aguilera sambou na cara de Britney Spears. E Alabama Shakes não aguentou para o Fun (lembram disso? TONIIIIIGHT, WE ARE YOOOUNG – Eu jurava que isso era Killers quando ouvi pela primeira vez).

David Bowie tem apenas um Grammy

Se você for analisar alguns números das edições anteriores, vai ficar ainda mais confuso. Por exemplo, a Lady Gaga, linda e maravilhosa, fez uma bela homenagem ao David Bowie, que foi dessa para melhor no começo do ano, logo após de lançar o sombrio ‘Black Star’. O cantor britânico sempre foi uma inspiração para a cantora, desde a época que tocava com a cara e coragem em inferninhos – acompanhada apenas de piano, sem a produção que conhecemos de hoje.

David Bowie não recebeu esta homenagem em vida do Grammy. O mestre Stardust levou apenas uma mirrada estatueta para a casa em toda a sua carreira. Se formos fazer uma breve comparação, a cantora de country Alisson Kraus tem 27 troféus para ostentar em sua residência. Elvis Presley levou apenas três. Rolling Stones e Brian Wilson conseguiram erguer a o prêmio por apenas duas vezes.

Falando em injustiças, Florence the Machine estava com pinta que ia levar algum prêmio pelo belo “How Big, How Blue, How Beautiful”, mas voltou de mãos vazias pra casa e deve ter afundado as mágoas em algum boteco de Los Angeles. Uma pena. Precisamos falar de Katy Perry aqui? Acho que não.

Sobre as apresentações…

Entre as apresentações da noite, podemos destacar a Rihanna. O tédio de se apresentar no Grammy falou mais alto e ela culpou uma crise de bronquite para não ter cantado “Kiss It Better”, do seu novo disco, “ANTI”. Apesar de não ter lançado nada a tempo de concorrer na premiação em 2016, Adele foi a pessoa no planeta Terra que vendeu mais discos no ano passado, sendo assim, nada mais justo que fazer uma pontinha nesta festança.

Ela soltou o gogó, teve problemas com o seu som e mandou um salve para o Kendrick Lamar no final. Uma fofa, como sempre. Depois o TMZ vazou que ela fez uma apresentação meio perdida, pois estava sem retorno (HELLO, FROM THE OTHER SIDE – Risos).

Justin Bieber descoloriu as madeixas e deixou um bigode maroto que os meninos apresentam na puberdade para a sua aparição no Grammy. Não cantou “Sorry” e mostrou que, se um dia precisar fazer um banquinho e violão em algum bar, segura as pontas, numa boa. Coisas que as fãs sabiam desde sempre. Ele ganhou o seu primeiro Grammy e, sendo assim, está no mesmo hall que David Bowie com uma estatueta de ouro. GOOD BOY :)

Durante algum break do Grammy, a Gwen Stefani aproveitou para lançar um single, “Make Me Like You”. A música segue a mesma fórmula apresentada por ela em sua carreira solo, bacana. Mas o que chamou atenção mesmo é ela estar com 46 anos e estar saudável daquela maneira. Nada como um bom uso de cremes, dormir oito horas por dia e não ficar brincando de MAN Vs. Food durante suas turnês.

O medley que a Lady Gaga fez para o David Bowie foi um dos destaques do Grammy. Alguns acharam que ela exagerou em sua performance, mas Gaga é conhecida por causar em todos os momentos possíveis em cima de um palco. Vocês achavam que ela ficaria de uma forma blasé como as pessoas ficam em bloquinhos de carnaval em São Paulo?

Ainda no quesito condolências, a premiação convocou Gary Clark Jr. e Bonnie Raitt para homenagear o Rei do Blues, BB King. Depois deste show, eu fiz as contas e percebi que 2015 matou mais gente do que eu lembrava. Espero que todos os nossos queridos artistas estejam com o seu plano de saúde em dia, pois não está fácil pra ninguém.

Ter um bom empresário pode ser um grande atalho para tocar em lugares, chegar nas pessoas certas. Depois de um desfile de grandes nomes que se destacaram durante a temporada, colocar o Pitbull para finalizar a festa é sacanagem com todos os presentes que ficaram quatro horas sem comer um lanchinho ou bebericar alguma coisa.

Todo este circo foi montado em uma segunda-feira! Haja paciência ou amor pela indústria do mundo pop. Para quem viu até o final, já sabe. Mande aquela desculpa que a Rihanna usou para o seu chefe ou professor no seu trabalho ou faculdade.


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O jornalista paulistano, produtor musical e marketeiro Brunno Constante analisa, pondera, escreve e traz novidades sobre música no Papelpop todas as terças-feiras. Fita Cassete é o alterego de Brunno quando ele fala sobre o assunto.

Quer falar com ele? Twitter: @brunno.

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