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Os discursos mais poderosos e emocionantes de 2015 na cultura pop

Apesar de tantas coisas ruins em 2015, o ano foi marcado também pela luta e engajamento de várias personalidades da cultura pop nas mais variadas causas.

Ao longo do ano, várias foram as vezes em que atores, cantores e outras celebridades utilizaram as mais diversas plataformas à sua disposição para fazer discursos poderosos e emocionantes, a respeito dos também mais variados temas, principalmente numa luta pela igualdade de gênero, raça ou sexualidade em Hollywood e no entretenimento em geral.

Como foram muitos os discursos poderosos que rolaram em 2015, a gente resolveu listar os melhores que rolaram e por ordem cronológica. Confira!

Emma Watson

Logo em janeiro, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Emma Watson deu mais um passo na sua luta pela igualdade de direitos.

A atriz, que é embaixadora da ONU Mulheres, estava desenvolvendo por lá o seu projeto “He For She”, que pretende estimular também nos homens a consciência da luta feminista.

Patricia Arquette

Já no mês de fevereiro foi a vez da atriz Patricia Arquette aproveitar a massiva audiência mundial da cerimônia do Oscar para incentivar a luta por igualdade de salários entre homens e mulheres não só em Hollywood, mas por toda a extensão dos Estados Unidos da América.

Apesar de curtinho, já que era uma cerimônia de premiação, o discurso foi objetivo e poderoso, fazendo até a grande diva do cinema Meryl Streep pular da sua cadeira e gritar palavras de apoio à ela.

Shonda Rhimes

Durante um baile da Campanha de Direitos Humanos em março, a roteirista e produtora Shonda Rhimes foi homenageada pela inclusão da comunidade LGBT em suas séries de TV de sucesso – “Grey’s Anatomy”, “Scandal” e “How To Get Away With Murder” – e aproveitou o espaço para explicar o leva ela a fazer isso.

No discurso, que infelizmente não está registrado em vídeo, Shonda falou sobre a importância de a televisão ter uma representação mais ampla da sociedade. Veja trechos traduzidos pelo Papelpop à época:

“Eu odeio demais a palavra ‘diversidade’. Sugere… Alguma coisa além. Como se fosse algo especial. Ou raro. Diverso! Como se tivesse algo incomum sobre contar histórias de mulheres, pessoas de cor e personagens LGBT na televisão. Eu tenho uma palavra diferente: normalizar. Estou normalizando a TV. Estou fazendo a televisão parecer mais com o mundo real. Mulheres, pessoas de cor e LGBT somam mais que 50% da população. Isso significa que eles não são qualquer coisa.

Você deveria ligar a TV e ver a sua tribo. O objetivo é que todo mundo ligue a televisão veja alguém com quem se parece, que ame da mesma forma. Mas o mais importante, todo mundo deveria ligar a TV e ver alguém com quem não se parece ou que ame diferente. Porque assim todo mundo aprenderia com essas pessoas. Por que assim seria possível se reconhecer neles. Então, assim, aprenderíamos a amá-los.

Para terminar, eu quero dizer isso: se você é uma criança e está por aí, gordo, não tão bonito, nerd, tímido, invisível e ferido. Qualquer seja sua raça, seu gênero, sua orientação sexual, eu estou aqui para dizer: você não está sozinho. Sua tribo, ela está por aí no mundo. Esperando por você.”

Caitlyn Jenner

Olha, com todo o respeito, a Caitlyn Jenner ainda tem muito o que aprender sobre a comunidade trans e sobre a luta das minorias. Se ela soubesse o suficiente sobre isso, não continuaria com as ideias políticas antigas do seu “falecido” Bruce, que culminaram com o recente apoio público ao conservador Partido Republicano dos EUA, e com aquela fala contra o casamento gay no programa da Ellen – que depois foi explicada em seu blog, sem convencer muito, porém.

Mas há algo muito importante no mundo atual que se chama representatividade. E ter uma mulher transexual se revelando e mostrando a sua história na televisão para todo o mundo ver é extremamente fundamental para ajudar pessoas trans em todo o mundo que acham que estão sozinhas nessa.

Em julho, Caitlyn, que em sua juventude foi o atleta olímpico Bruce Jenner, recebeu da premiação ESPY Awards o prêmio Arthur Ashe por sua coragem e fez um discurso lindo sobre aceitação e apelando para o fim da ignorância, reconhecendo a luta de várias personalidades trans que estiveram aí antes dela.

Como o discurso é bem logo, corre lá no post que a gente fez na época para ver uns bons pedaços traduzidos!

Jeffrey Tambor

Por falar na luta das pessoas trans, no ano passado a causa ganhou uma importante plataforma de visibilidade: a incrível série “Transparent”, do serviço de streaming da Amazon.

No seriado, o ator Jeffrey Tambor aparece impecável como um pai de família que, já nos seus 60 anos, resolve finalmente revelar a todo mundo que é transexual – e gradualmente começa a viver com sua nova e verdadeira identidade.

O ator já havia vencido o Globo de Ouro no começo do ano e, assim que recebeu seu prêmio na cerimônia do Emmy, voltou a repetir o seu lindo discurso de agradecimento, dedicando o prêmio para toda a comunidade trans.

“Eu vou encerrar dizendo, não para repetir o que já disse, mas para especificamente repetir o que já disse antes. Eu gostaria de dedicar toda a minha atuação e esse prêmio para a comunidade transgênero. Obrigado por sua paciência, muito obrigado pela sua coragem, obrigado por suas histórias, obrigado por sua inspiração, obrigado por nos deixar ser parte dessa transformação. Que Deus os abençoe.”

Viola Davis

Na mesma premiação, a atriz Viola Davis foi consagrada com o Emmy de Melhor Atriz de Drama pela série “How To Get Away With Murder” – um prêmio que não foi importante somente para ela, mas para todas as mulheres afro-americanas.

Pela primeira vez em 67 anos de existência da premiação do Emmy, uma negra venceu o prêmio de Melhor Atriz de Drama. Por isso, em seu discurso, Viola dedicou seu prêmio a todas as colegas, atrizes, negras, citando Taraji P. Henson, Kerry Washington e Halle Berry.

Viola Davis (mais um!)

Sim, 2015 teve ainda mais um discurso foda da Viola Davis, dessa vez em um evento da Stuart House, organização parceira da The Rape Foundation, que presta assistência a crianças vítimas de estupro.

Pela primeira vez, Viola falou abertamente sobre um problema que enfrenta com uma das suas irmãs, que, ainda criança, sofreu abuso sexual, o que trouxe diversas consequências para a sua vida adulta.

Confira o discurso emocionante em que a Viola chorou e fez todo mundo chorar junto:

“Eu tenho uma irmã que, quando tinha 8 anos, calçou seus patins e foi brincar com as amigas, à uma da tarde, e entrou numa loja. Quando entrou, foi abusada por um dos funcionários”, começou Viola. “Ela chegou em casa e contou para nossa mãe, que foi até a loja e começou a gritar com os donos. Eles disseram: ‘deixa o cara em paz, ele faz isso com todas as garotas que vêm aqui’. Então minha mãe acenou para um policial. Ele encontrou o homem e o levou em seu carro. Eu vi minha irmã chorando. Minha mãe estava chorando também. E foi isso. A partir daí, uma menina que era muito inteligente, linda e criativa cresceu frágil, irritada e se tornou viciada em drogas aos 20 anos. Ela teve seis filhos, todos eles levados pelo serviço social. Tornou-se uma prostituta usuária de drogas. Sabe, memórias exigem atenção, porque memórias têm dentes. Na minha visão, quando rezo pela minha irmã… Rezo por tudo. Rezo para ela encontrar paz, amor e felicidade… Que ela saia das drogas. E aí abro os olhos e, claro, ela ainda está nas ruas. Mas, sabe, me ocorreu que a resposta de Deus às minhas orações foi à Stuart House para pedir ajuda naquela época. Uma resposta maior que aquela com que eu sonhava. Se eu pudesse ter uma fantasia, seria dar a ela permissão para falar num ambiente em que as pessoas a ouvissem. Num ambiente em que ela pudesse falar e extravasar sua raiva. Que ela tivesse uma Stuart House para jogar a ela uma corda. Sua vida teria sido tão diferente. Há muitas histórias que vão sair daqui. Haverá vários testemunhos de jovens vencedores que vão falar sobre suas histórias de abuso — atrevendo-se a desafiar e denunciar seus agressores. E acho que, se há alguma coisa que eu vá falar hoje, eu vou falar sobre minhas irmãs do mundo. Aquelas pessoas que não aguentaram, que não tiveram uma Stuart House. Esse é um dia abençoado por Deus, e vou ficar feliz. Porque eu gostaria de dizer para a minha irmã que ela não é suja e que não deve sentir vergonha por algo por que simplesmente ela não é responsável. Eu gostaria de poder salvar sua vida”.

Jennifer Lawrence

O discurso da Jennifer Lawrence não foi exatamente falado, mas escrito como um artigo numa newsletter feminista encabeçada por sua colega Lena Dunham.

O artigo em questão veio após o anuncio da Forbes de que ela havia sido a atriz mais bem paga de 2015… Ganhando 30 milhões de dólares a menos que o ator mais bem pago, Robert Downey Jr. Isso sem falar que em 2015 apenas quatro atrizes faturaram mais de 20 milhões de dólares, enquanto 21 homens conseguiram mais que esse valor.

Além disso, aqueles e-mails vazados da Sony revelaram que Jennifer Lawrence e Amy Adams ganharam muito menos que os seus colegas do filme “Trapaça” – Bradley Cooper, Christian Bale e Jeremy Renner.

Por isso, a JLaw resolveu abrir o jogo em relação a disparidade de salários e escreveu esse artigo, em que cita também o fato de Angelina Jolie ter sido chamada de “mimada” nos e-mails da Sony. Leia:

“É difícil para mim falar da minha experiência como uma mulher trabalhadora porque eu seguramente posso dizer que meus problemas não são exatamente fáceis de se identificar. Quando aquela coisa da Sony aconteceu e eu descobri o quão menos eu recebia do que aqueles sortudos com um pinto, eu não fiquei com raiva da Sony. Fiquei com raiva de mim mesma. Eu falhei como negociadora porque eu desisti muito rápido. Eu não quis lutar por uns milhões de dólares que, francamente, por causa de duas franquias, eu não preciso. (Eu avisei que não dava pra se identificar, mas não me odeie por isso).

Mas se eu sou honesta comigo mesma, eu estaria mentindo se dissesse que há não há um elemento de querer ser querida que influenciou a minha decisão de fechar um acordo sem brigar. Eu não quis parecer ‘difícil’ ou ‘mimada’. Na época, pareceu uma boa ideia, até que eu vi a folha de pagamentos na internet e me dei conta que todo homem com quem eu trabalhei definitivamente não se preocupava em ser ‘difícil’ ou ‘mimado’. Pose ser algo de uma pessoa jovem. Pode ser algo pessoal. Eu tenho certeza que são ambos. Mas há algo na minha personalidade que eu venho combatendo por anos, e, baseada nas estatísticas, eu não acho que seja a única mulher com esse problema. Estamos socialmente condicionadas a agir dessa forma? Nós só estamos aptas a votar por o que, 90 anos? Eu estou perguntando de verdade – meu telefone tá na mesa e eu no sofá, então uma calculadora obviamente não é o problema. Poderia ainda ser um hábito insistente tentar expressar nossas opiniões de uma certa forma, sem ‘ofender’ ou ‘assustar’ os homens?

 

Há algumas semanas no trabalho, eu falei o que tinha na cabeça e dei minha opinião de uma forma clara, sem agressão, apenas de forma brusca. O homem com quem eu estava trabalhando (na verdade, ele estava trabalhando para mim) disse: ‘ei! Nós estamos no mesmo time aqui!’, como se eu estivesse gritando com ele. Eu estava tão chocada porque eu não disse nada pessoal, ofensivo ou, para ser honesta, errado. Tudo o que eu ouço e vejo todos os dias são homens dando suas opiniões, e eu dou a minha da mesma maneira e você achou que eu havia dito algo ofensivo.

Eu cansei de tentar encontrar uma maneira ‘adorável’ de dar minha opinião e ainda ser querida. Que se foda! Eu acho que eu nunca trabalhei para um homem que gastou tempo pensando de que forma deveria falar para sua voz ser ouvida. Ela é ouvida.  Jeremy Renner, Christian Bale e Bradley Cooper, todos lutara e foram bem sucedidos em negociar acordos poderosos para eles. Eu tenho certeza de que eles foram elogiados por terem sido bravos e estratégicos, enquanto eu estava preocupada em me passar por uma pirralha e não ter minha porcentagem justa. Novamente, isso pode não ter NADA a ver com minha vagina, mas eu não estou completamente errada quando outro e-mail vazado da Sony revelou que uma produtora se referiu a uma colega atriz numa negociação como uma ‘pirralha mimada’. Por alguma razão, eu não consigo imaginar isso sendo dito sobre um homem.”

Madonna

Em novembro, o mundo inteiro ficou completamente devastado quando ataques terroristas deixaram mais de 100 mortos em Paris.

No dia seguinte aos ataques, Madonna tinha um show marcado em Estocolmo, na Suécia, mas, ao invés de cancelá-lo, a Rainha do Pop resolveu dar um discurso justamente sobre o enfrentamento ao terrorismo, sobre não deixar a maldade de uns, poucos, afetar a vida de muitos.

Claramente emocionada, Madonna pregou a liberdade de expressão, a aceitação e lembrou que a mudança do mundo começa dentro de cada um de nós.

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