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15 momentos que mostram que 2015 foi o ano do feminismo na cultura pop

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O feminismo chegou com tudo em 2015 (ainda bem!). Durante o ano tivemos vários momentos emocionantes que mostraram que as mulheres estão aí para continuar lutando contra a desigualdade que sofrem inclusive dentro da indústria do entretenimento.

Para recapitular tudo isso, nós convidamos um grupo de garotas que se uniram este ano para formar um podcast justamente sobre feminismo na cultura pop, o Pop Don’t Preach. A gente conheceu o grupo na Comic Con Experience deste ano, quando elas participaram de uma mesa que debateu a diversidade na cultura pop.

Então pedimos que elas, jovens mulheres feministas, listassem e comentassem os melhores momentos em que o movimento se sobressaiu na cultura pop em 2015.

As premiações de cinema e TV

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“O ano começou muito bem com o Globo de Ouro, premiação que teve o feminismo como convidado de honra: tivemos Amy Poehler & Tina Fey como apresentadoras, premiações para mulheres produtoras, escritoras e showrunners (“Transparent” e “The Affair”, por exemplo) e discursos super inspiradores, como o de Maggie Gyllenhaal – que ao ganhar o prêmio de melhor atriz por “The Honorable Woman” comentou sobre a mudança do papel feminino na televisão americana.

Já no Oscar, a representatividade foi bem menor. Tirando os prêmios “obrigatoriamente” femininos, as categorias principais não premiaram mulher alguma. Para dar uma compensada, Patricia Arquette fez um discurso sensacional sobre igualdade de gêneros em Hollywood, ao receber seu prêmio de melhor atriz coadjuvante por “Boyhood”.

Nos Emmys, história foi feita: depois de 67 edições, Viola Davis foi a primeira mulher negra a receber o prêmio de melhor atriz dramática e emocionou a todos com seu discurso crítico e empoderador. Além disso, os tapetes vermelhos também foram destaque: a campanha #AskHerMore finalmente escancarou o problema das perguntas idiotas feitas às mulheres nessas ocasiões.”

Katy Perry e Obama no Grammy

“O Grammy deste ano dedicou todo um bloco para a conscientização da violência conta a mulher. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursou sobre os índices assustadores de violência doméstica e pediu ajuda dos artistas no seu combate. Após o pronunciamento do presidente, uma vítima compartilhou seu depoimento logo antes de Katy Perry se apresentar com a canção “By the Grace of God”, em uma performance emocionante.”

Nicki Minaj

Nicki Minaj recitou o poema “Still I Rise” (Ainda Me Levanto) de Maya Angelou, no evento contra racismo “Shining A Light”. Maya foi uma escritora e poeta dos Estados Unidos. Aos 17 anos, ela se tornou a primeira motorista negra de ônibus em São Francisco e tornou-se mãe solteira ao dar à luz seu primeiro filho, em uma época em que isso não era comum; em anos posteriores, ela se tornou a primeira mulher negra a ser roteirista e diretora em Hollywood. Na década de 50 – quando surgiu com o pseudônimo “Maya Angelou” – ela se afirmou como atriz, cantora e dançarina em várias montagens teatrais que percorreram os Estados Unidos. (via N1CK1 M1N4J)

Posted by Empodere Duas Mulheres on Tuesday, December 1, 2015

“Nicki sempre arrasou nas frases empoderadoras e questionadoras do patriarcado, mas depois do clipe de “Anaconda”, uma enxurrada de slutshaming brotando na internet e uma treta via twitter com c e r t a s p e s s o a s (não podemos dar nomes pois não pagamos o boleto), a diva ascendeu ainda mais maravilhosa, problematizando a questão do feminismo branco – que mal era comentada no meio do feminismo pop. Para completar, ela recitou o poema “Ainda Assim Me Levanto”, da Maya Angelou durante o especial “Shine a Light”, do A&E. É de chorar!”

O Ano de Amy Schumer

“Apesar de já estar caminhando para a 4ª temporada, o programa “Inside Amy Schumer” (e a mente por trás dele) só ganharam grande destaque este ano. As esquetes engraçadíssimas lembram o humor da também rainha Sarah Silverman e colocam questões machistas em evidência, como no quadro “the last fuckable day”, que conta com a participação da Tina Fey, Julia Louis-Dreyfus e Patricia Arquette. Com exposição mundial, Amy escreveu o filme “Descompensada”, garantiu a próxima temporada do seu programa no Comedy Central, ficou amiga de Jlaw (#SquadGoals) e continua arrasando nos stand-ups.”

“Mad Max”

“A trilogia inicial já era um clássico que redefiniu a noção de distopia no cinema, mas “Mad Max: Estrada da Fúria” atingiu um novo patamar. A começar pelo fato do protagonista ser uma mulher – sim, Furiosa guia a história e não Max. Além disso, não tem muita palhaçada romântica entre os dois – é questão de sobrevivência gente, não dá tempo de se apaixonar e correr de mãos dadas pelo deserto! Lutando contra Immortan Joe (basicamente o patriarcado com problemas de asma), a personagem de Charlize Theron é forte, determinada, e sua maior batalha é pela independência das mulheres escravizadas. Alguns críticos problematizaram a fetichização das esposas do Joe, todas praticamente Victoria Secret’s Angels, mas se você prestar atenção no filme, elas começam indefesas, quase nuas e super sexualizadas e terminam vestidas, empunhando armas e livres. Ninguém está lá pra “enfeitar” filme nenhum.”

Jessica Jones e Netflix

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“Desde que a empresa começou com suas produções originais, foi tiro atrás de tiro. São as meninas de “Orange is the New Black”, as questões de “Grace & Frankie”, a leveza em discussões sérias em “Unbreakable Kimmy Schmid”t, o maravilhoso sétimo episódio de “Master of None” e, claro, tudo isso culmina no que talvez foi a série mais feminista do ano: “Marvel’s Jessica Jones”. Pros desavisados, Jessica Jones pode parecer mais uma série de super heróis, mas ela transcende os super poderes e lida com assuntos muito importantes como estupro, gaslighting, empoderamento feminino, amizades femininas e abuso psicológico.”

Masterchef Jr Brasil

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“Ok, o programa não é feminista nem nada, mas o assédio online sofrido por uma das participantes, a Valentina, motivou a criação da hashtag #primeiroassédio, onde mulheres compartilhavam seus relatos de um momento tão difícil na vida de – infelizmente – toda mulher. A produção do programa não se manifestou, mas é bom ver que pautas da cultura pop ultrapassam a categorização e dão força para o movimento!”

As mulheres nas séries americanas

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“2015 com certeza foi um ano revolucionário para as mulheres nas séries americanas. O caminho aberto por Shonda Rhimes e suas personagens femininas fortes agora é trilhado pelas protagonistas de “Unreal” (que acompanha a vida de uma produtora de um reality show tipo The Bachelor), “Broad City”, “Crazy Ex-Girlfriend” (que problematiza o próprio título), “You’re the Worst” (que retratou a depressão como nunca antes uma série fez), e claro, “Supergirl”, que consegue problematizar inúmeras questões feministas de um jeito bem sutil.”

Ariana Grande

“Depois de receber uma cobertura invasiva da mídia sobre seu relacionamento com Big Sean, Ariana xingou muito no Twitter com toda a razão! “Eu Não. Pertenço. A ninguém. Além de Mim. Você também não” foi um dos tweets da cantora. Além disso, durante uma entrevista de rádio em novembro, ela deu uma aula aos radialistas misóginos que não aprenderam nada com o #AskHerMore.”

“Til it Happens To You”

“No festival de Sundance deste ano, foi lançado o documentário “The Hunting Ground”, que reúne os casos de abusos sexuais sofridos em campus universitários dos Estados Unidos. Em sua trilha sonora, “Til it Happens to You” é o single escrito por Lady Gaga e Diane Warren, e ganhou um clipe fortíssimo que busca conscientizar a todos sobre a cultura do estupro, assunto tão sério e negligenciado. O clipe, com participação de Nikki Reed, conta a história de quatro vítimas, mostrando a dor do abuso e as dificuldades de superação.

Karol Conka e Pitty

 

o resultado da pesquisa do IPEA só mostra que precisamos repetir até que todos entendam. vamos? #EuSouMinha

Uma foto publicada por PITTY (@pittyleone) em

“No cenário nacional também tivemos momentos lindos de feminismo na nossa cultura pop. Karol Conka tombou com suas letras empoderadas e ainda falou abertamente sobre como foi se tornar feminista e lidar com o machismo quase intrínseco ao mundo do rap. Pitty também brilhou no seu twitter, publicando mensagens sobre atitude, feminicídio, sororidade e esclarecimento sobre a questão feminista!”

Emma Watson existindo

“Sempre muito reservada com sua vida pessoal, a atriz passou a usar sua imagem pública para apoiar causas nobres, especialmente a igualdade de gênero. Desde que foi nomeada como embaixadora do ONU Mulheres, em 2014, Emma não parou de lacrar. Se tornou uma ativista poderosíssima pelo direito das mulheres, seja no campo da igualdade política, do acesso à educação, da representatividade no cinema e até de uma indústria da moda mais consciente. Destaque para o discurso sobre o HeForShe no começo do ano (vídeo acima); a entrevista concedida no 8 de março em que ela é linda e esclarece MUITA coisa sobre feminismo; e para a fofíssima entrevista com Malala Yousafzai no lançamento de seu filme. Já tá melhor do que a Hermione <3″

Taylor Swift

“Apesar da treta com Nicki Minaj e as críticas (bem pertinentes) sobre o feminismo branco de Taylor, desde seu último álbum “1989”, a cantora assumiu quase que um papel agregador de outras figuras pop assumidamente feministas. Swift juntou seu #squad com Cara Delevigne, Lena Dunham, Zendaya, Lorde, as meninas do Haim… Além disso, ela chamou mulheres incríveis para dividir seu palco ao longo da turnê, como Alanis Morissette, Alessia Cara, St. Vincent e Idina Menzel. As críticas ao feminismo da Taylor Swift são super válidas, mas não dá pra ignorar o alcance das ações e declarações empoderadoras da menina!”

O clipe de Clarice Falcão

“Ninguém vai tirar o batom vermelho não, e se reclamar esfrego na cara toda! Sou uma sobrevivente! Foi basicamente isso que Clarice Falcão veio dizer com sua versão de “Survivor”, das Destiny’s Child. Como se precisássemos de mais um motivo pra amar essa música, Clarice enfatizou ainda mais a questão feminista da canção com closes em rostos de mulheres de diversas belezas e idades. Além disso, toda a renda do single no iTunes será revertida para a ONG Think Olga, que luta pelos direitos das mulheres. Para encerrar, o clipe termina com esta frase: ‘É preciso ter coragem para ser mulher nesse mundo. Para viver como uma. Para escrever sobre elas.’ #micdrop”

“As Sufragistas”

 

#meuamigosecreto acha que lutar pelo direito ao voto, a um salário equivalente, a não sofrer com violência doméstica nem…

Posted by Universal Pictures Brasil on Wednesday, November 25, 2015

“Para fechar o ano com chave de ouro, chega aos cinemas brasileiros o filme inspirado na história da luta feminina pelo direito ao voto na Inglaterra do século XX. O elenco é destruidor: Carey Mulligan, Meryl Streep e Helena Bonham Carter. Já podemos marcar como um dos favoritos no bolão do Oscar?”

Realmente 2015 foi um ano incrível, e a gente agradece às meninas do Pop Don’t Preach por nos ajudarem nessa retrospectiva de tantos momentos fodas que rolaram.

Que em 2016 todos continuemos lutando por mais igualdade e pelo fim dos preconceitos!

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