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Mark Ronson fala sobre “Uptown Funk” com o Papelpop: “Nunca pensei na minha vida que teria um hit”

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O britânico Mark Ronson não se lembra quando sua paixão pela soul music começou, mas foi quando ainda era criança e foi amor à primeira audição. Criado numa “ponte aérea” entre a Inglaterra e os EUA, sempre foi influenciado pelo melhor que os dois países podem oferecer quando se trata de música.

Sempre muito bem estiloso – algo que é de família, já que uma das irmãs é a estilista Charlotte Ronson -, Mark surgiu no cenário da música britânica no começo dos anos 2000. Mas foi apenas em 2006 que o produtor começou a ganhar visibilidade ao “criar” Amy Winehouse.

Foi ele o responsável pelos sucessos do ótimo, aclamado e inesquecível álbum “Back To Black” (e, obviamente, pelos hits “Rehab” e “Valerie”). A parceria (e a amizade com Amy) rendeu vários prêmios Grammy e lançou a cantora (e Mark também) ao estrelato mundial.

Com “Uptown Funk”, seu nome não sai das rádios…

“Eu não esperava nada [de “Uptown Funk”] porque é uma música diferente de todas as outras músicas que estão no rádio. Não é uma música que imediatamente você pensa “uau, vai ser um sucesso, como a porra de uma música da Katy Perry”, disse Mark Ronson para o Papelpop.

Com certeza você já se pegou dançando ou cantando “Uptown Funk”, um sucesso que começou em 2014 e até hoje não sai dos primeiros lugares das paradas. Claro que todo mundo reconhece Bruno Mars nos vocais, mas nem todo mundo sabe que a música é de Mark Ronson, do seu mais novo álbum, “Uptown Special”, que traz participações de ninguém menos que Stevie Wonder.

Foi exatamente sobre esse sucesso que o produtor conversou por telefone com o Papelpop. Mark falou sobre a surpresa do sucesso de “Uptown Funk”, sobre a parceria ilustre com Stevie Wonder no álbum “Uptown Special” e, claro!, sobre o Brasil.

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PP: Mark, parabéns pelo sucesso estrondoso de “Uptown Funk”! Você esperava essa repercussão toda?

Mark: Não esperava, tipo… Merda! Eu nunca imaginei que pudesse ter um sucesso gravado por mim mesmo. Eu tenho algumas músicas de sucesso, como “Bang Bang Bang” ou “Valerie”, mas nenhuma fez tanto sucesso assim. Nunca pensei na minha vida que teria um hit. E é bem divertido, é um sonho. Parte desse sucesso se deve ao Bruno também, claro, que é um superstar, mas eu acho que nunca achei que chegaria nesse nível. Eu não sei dizer quando uma música vai ser um hit, mas eu sei dizer quando ela está boa e soa bem.

Quando terminou de gravar, você chegou a pensar que tinha um hit?

Quando a gente começou a gravar, eu estava no baixo e Bruno na bateria, a gente começou a tocar e não queria mais parar. É desse tipo de sentimento que eu entendo, não em dizer se vai ou não ser um hit. Eu lembro que com “Rehab” foi parecido, eu levei a demo para a gravadora sem esperar nada e os executivos amaram. Acho que talvez eu não esperava nada [de “Uptown Funk”] porque é diferente de todas as outras músicas que estão no rádio. Não é uma música que imediatamente você pense “wow, vai ser um sucesso, como a porra de uma música da Katy Perry”.

O funk nunca esteve tão pop…  

Pois, é! E eu não sabia se seria um hit. Mas eu nunca me esforcei tanto numa música quanto nessa. Com o Bruno em turnê e nossas agendas não se batendo, eu achei que ela nunca fosse ficar pronta. Sem falar que depois a gente ainda começou a receber críticas de que não deveríamos colocar “funk” no título, que deveria se chamar “Just Watch”. E no final foi ótimo porque as pessoas ouviram como era para ser e amaram. E eu acho que isso mostra que as pessoas gostam desse estilo funk.


Tocando com Adele, Amy Winehouse e Daniel Merriweather no Brit Awards 2008

Você acha que sua música é importante para mostrar aos jovens de hoje o funk e o soul?

Claro, outro dia eu ouvi a história de um menino de 9 anos que ama “Uptown Funk” e pediu ao pai para ouvir mais músicas nesse estilo e isso é tão legal porque foi exatamente assim que eu descobri o funk e o soul quando era criança, com alguns artistas da época que usavam samples de músicas mais antigas e eu sempre quis descobrir a origem de tudo. É muito bom saber que minha música está fazendo isso, meio que mostrando o funk para a nova geração.

Vários artistas como Fall Out Boy e Fifth Harmony já fizeram versões da música, você já ouviu? 

Eu geralmente ouço as paródias e piadas no Youtube, são hilárias! Mas eu sei que tem muitos covers rolando, mas ainda não ouvi a maioria deles.

Você falou em sucessos como “a porra de uma música da Katy Perry”. Você por acaso tem vontade de trabalhar com alguma diva pop em uma música no estilo mais parecido com o funk? 

Todas elas têm vozes incríveis, eu não tenho nada contra elas. Mas algumas músicas têm produções que realmente não me importam. Acho que não combinaria muito com o estilo do álbum ou de “Uptown Funk”. Às vezes as pessoas me procuram querendo que eu tente repetir algo que eu produzi com o “Back To Black”, sendo que eu produzi menos da metade do álbum. Mas eu não curto muito, se é para repetir algo que já foi feito, eu prefiro não fazer.

Você ainda tem alguma parceria dos sonhos? Porque, tipo, você acabou de ter Stevie Wonder no seu álbum…

Não, wow, eu nunca imaginei que isso fosse acontecer. Se você me dissesse há um ano que Stevie Wonder estaria no meu álbum, eu não acreditaria. Mesmo no começo das gravações do álbum, me disseram para chamar o Stevie Wonder e eu pensei “What? Do que você tá falando? Stevie Wonder não vai querer estar no meu álbum!”, mas aconteceu. Eu escrevi essa melodia e eu acho que ela tinha muita influência dele. Então eu mandei um e-mail para o empresário dele dizendo que seria um sonho ter o Stevie abrindo o meu álbum e eu não consegui acreditar que ele aceitou! É louco!

Até a nova-iorquina Mary J Blige foi buscar inspiração no soul britânico, que tem Disclosure, Adele, Sam Smith e você como grandes nomes atuais… Tem alguma explicação para esse sucesso?

Não sei, eu acho que a música soul sempre foi algo forte na música britânica. Acho que nós somos bons exportadores quando se trata de soul music. Eu acho que é algo natural, é interessante porque obviamente a música soul não é nossa, mas eu realmente não sei explicar o fenômeno.

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Você tem planos de vir para o Brasil em breve? Nós temos o Rock In Rio em setembro, você deveria vir! 

Eu amaria ir! Eu nunca fui ao Brasil com uma banda, só como DJ. Todo mundo que eu conheço sempre diz que é o melhor lugar para tocar! Eu acho que não estou pronto para algo do nível do Rock in Rio, mas espero ir em breve…

Enquanto a gente espera por uma visita de Mark Ronson, vamos fuçar no Youtube só pra relembrar ele tocando com a Amy Winehouse, relembrar também um dos primeiros sucessos da carreira dele, o “Stop Me” com o Daniel Merriweather, escutar de novos o hit com a Lily Allen, aquele melô da bicicleta com o The Business Intl e essa maravilha de “Somebody to Love” com participação do Boy George.

O Mark Ronson merece todo o sucesso que está conquistando.

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