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Os momentos em que os LGBT brilharam na Rio 2016

Com as Olímpiadas do Rio chegando ao fim, nós podemos afirmar que os atletas LGBT roubaram as atenções. Embora o Brasil seja o país onde mais acontecem crimes de ódio contra a população LGBT no mundo em números absolutos, segundo dados da ONG Transgender Europe, com uma pessoa sendo agredida a cada 28 horas, de acordo com o Grupo Gay da Bahia, as Olimpíadas do Rio de Janeiro trouxeram um pouco de positividade a esse cenário.

A competição no Rio é a com mais representatividade LGBT da história: 64 atletas e técnicos abertamente gays, lésbicas, bissexuais e trangêneros estavam competindo, sendo que do total mais de 10 se assumiram durante o evento. Enquanto isso, na de Londres, em 2012, eram apenas 23 e na de Pequim, em 2008, foram apenas 10.

O número é baixíssimo se pensarmos que mais de 11 mil atletas vieram competir, mas isso não impediu que todos brilhassem muito!

Do Brasil, apenas seis atletas que competiram são assumidamente homossexuais: Larissa (vôlei de praia), Mayssa (handebol), Julia Vasconcelos (taekwondo), Isadora Cerullo (rúgbi), Ian Matos (saltos) e Rafaela Silva (judô).

Além  dos atletas, os voluntários e artistas LGBT que participaram do evento receberam bastante destaque. Ninguém esqueceu do maravilhoso da bicicletinha que foi super closeiro na abertura, né? Vamos relembrar os momentos mais empoderadores à comunidade LGBT nas Olimpíadas.

O pedido de casamento de Marjorie Enya à jogadora Isadora Cerullo

Durante a cerimônia de entrega do ouro para a Austrália no rugby, a voluntária Marjorie Enya pediu a jogadora Isadora Cerullo, que faz parte da seleção brasileira do esporte, em casamento. A atleta assistiu ao jogo e pensava que iria conceder uma entrevista, quando sua companheira pegou um microfone e fez o pedido, que foi aceito sem hesitação. As colegas de seleção acompanharam o momento com balões em forma de coração. Sem uma aliança de verdade para oficializar o momento, um grande laço foi amarrado no dedo de Izzy, como é conhecida a jogadora. Veja:

 

As bicicletinhas

Durante a abertura das Olimpíadas sempre rola aquele momento entediante no qual as delegações de todos os países são apresentadas. Mas no Rio, muita gente começou a ficar entretido com quem guiava as bicicletas de cada país. O muso Kleyton Hudson deu muito close e foi um dos memes mais compartilhados daquele dia.

Ele não foi o único LGBT naquela função: cinco dos modelos que guiavam as bicicletas eram trângeneros. A delegação do Brasil entrou acompanhada da modelo Lea T, a primeira transexual a ter um papel de destaque nas Olimpíadas Modernas, desde a sua criação, em 1896.

O ouro de Rafaela Silva

A primeira medalha de ouro do Brasil nas Olimpíadas do Rio foi conquistada por uma atleta assumidamente lésbica. A judoca Rafaela Silva veio da comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, e já havia competido nas Olimpíadas de Londres, na qual foi desclassificada por aplicar um golpe ilegal. Após o acontecido, sofreu uma enxurrada de xingamentos racistas por parte de brasileiros, o que a levou a ter depressão e pensar em desistir do esporte.

"Pra quem tem fé a vida nunca tem fim."

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Com o apoio da família e de seu técnico, continuou lutando, venceu a doença, chegou ao topo do pódio e se tornou um exemplo de superação e orgulho. A atleta disse em entrevista que o apoio da namorada, a estudante de Educação Física Thamara Cesar, com quem mantém uma relação há três anos, foi fundamental.

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Com a vitória, Rafaela Silva foi até homenageada com uma escola no Rio de Janeiro batizada com seu nome.

As duas planejam comemorar a vitória da judoca com uma viagem à Disney, em Orlando, no final do ano, mas tudo irá depender da agenda de Rafaela.

 

A primeira medalha de ouro para um casal homossexual

As britânicas do hóquei de grama Kate e Helen Richardson-Walsh se tornaram o primeiro casal de mesmo sexo a vencer uma medalha de ouro nas Olimpíadas. As duas se casaram em 2013, logo quando o casamento gay passou a ser legal no Reino Unido.

A competição pela medalha foi bastante acirrada, com as britânicas vencendo as holandesas apenas nos pênaltis.

As duas competem juntas há 17 anos, mas começaram a se relacionar apenas em 2008. Elas já haviam conquistado a medalha de bronze nos jogos de Londres, em 2012.

Bronze medallists!

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O pedido de casamento de Tom Bosworth

O atleta britânico Tom Bosworth pode não ter conquistado nenhuma medalha durante os jogos, mas ele sai do Brasil com a certeza de que o coração de seu namorado já está garantido. Durante sua passagem pelo Rio, ele aproveitou as areias cariocas para pedir Harry Dineley em casamento. E a resposta foi positiva!

O atleta compartilhou o momento em seu Twitter:

“Ele disse SIM!!!”

O namorado dele também mostrou na rede social a aliança usada para oficializar o pedido.

Bosworth é considerado o principal atleta britânico na marcha atlética e assumiu sua homossexualidade em 2015, em entrevista à BBC. Ele foi o primeiro de seu time a falar abertamente sobre o assunto.

 

Sam Stanley e seu namorado fora do padrão

Sam Stanley, que faz parte da seleção inglesa de rugby, foi o primeiro atleta inglês do esporte a se assumir gay. Ele começou a fazer bastante sucesso nas redes sociais após assumir um relacionamento com Laurence Hicks, que é 27 anos mais velho e acima do peso.

Os dois sempre estão postando declarações de amor e até fizeram um ensaio sensual para a “Gay Times Magazine” em março deste ano.

Eles rebatem qualquer comentário preconceituoso, garantindo que a relação não é regada de interesses. Stanley disse também que diversas vezes pensou em tirar a própria vida por medo do preconceito.

 

The Daily Beast e sua matéria de extremo mal-gosto

Um dos assuntos mais comentados das Olimpíadas do Rio foi a matéria publicada pelo site americano The Daily Beast, na qual um jornalista hétero usou o Grindr, aplicativo de encontros gay, para expor atletas que faziam o uso na Vila Olímpica.

A matéria gerou muita polêmica, já que alguns dos atletas expostos vêm de países onde ainda é ilegal ser homossexual, enquanto outros mantém relacionamentos heterossexuais. Com a enxurrada de críticas, o site retirou a matéria do ar e o jornalista Nico Hines perdeu sua credencial para cobrir os jogos.

O nadador Amini Fonua, que vem de Tonga, onde é ilegal ser homossexual, usou seu perfil no Twitter para protestar contra a ação do jornalista.

“Um jornalista de merda, hétero, entrou no Grindr na vila olímpica, viu que tinham muitos atletas gays, pegou as informações de cada um e publicou num site. Alguns desses atletas não estavam fora do armário (sair do armário no meio esportivo é algo BEM complicado), outros vinham de países onde ser gay é ilegal (eles podem ser presos, impossibilitados de jogar pra sempre, sofrerem atentados, até ser mortos), e, como o nadador da foto aqui falou, alguns tem cerca de 18 anos e deveriam ter o direito de escolher quando e onde sair do armário (cada pessoa deve decidir a hora de falar para suas famílias e amigos). Agora imagina esses atletas, que treinaram nos últimos 4 anos, além da cobrança de participar de uma olimpíada, tendo que competir no meio dessa montanha russa de emoções. Um jornalista escroto desses não merece ser chamado de jornalista. Gostaria que a vida dele se fudesse com isso, que ele recebesse mil processos no cu, mas eu tenho certeza absoluta que nada vai acontecer com ele, muito antes pelo contrário, só vai ficar mais famoso.”

Ele também postou uma nude em seu Instagram, com os dizeres “Ei, @nicohines e @thedailybeast, se o que vocês procuravam no Grindr era uma bunda gostosa, aqui está a minha pra vocês em toda a sua honra e glória”.

 

Tom Daley vence novamente o bronze

O nadador Tom Daley se tornou um herói olímpico para seu país, quando nas Olimpíadas de Londres, em 2012, garantiu o bronze e se tornou o primeiro atleta britânico a conquistar uma medalha no trampolim individual em 52 anos.

Daley sofreu bullying em sua época de escola, tendo declarado que já pensou em se matar diversas vezes. Em certo momento de sua vida, seu pai precisou largar o emprego para cuidar do atleta, que havia ameaçado se jogar de uma janela caso ficasse sozinho.

Ele assumiu publicamente ser homossexual um ano depois, quando disse estar numa relação com o roteirista vencedor do Oscar Dustin Lance Black. Os dois vieram juntos ao Rio.

Tom conquistou outra medalha de bronze nos jogos do Rio, desta vez no salto sincronizado. Ele veio ao Brasil como um dos favoritos para a medalha de ouro no salto individual, mas não conseguiu passar das semi-finais.

Ele postou em seu Twitter uma mensagem na qual dizia estar com o coração partido pela eliminação, mas que não desistiria de seu sonho de ser um campeão olímpico.

Seu noivo postou uma mensagem de apoio ao nadador, dizendo estar orgulhoso com suas conquistas no Rio e que eles ainda lutarão juntos em outra ocasião.

Chris Mosier, o primeiro atleta transgênero dos EUA

O atleta Chris Mosier se tornou um símbolo da inclusão nas Olimpíadas após se tornar o primeiro homem transgênero a fazer parte de uma equipe olímpica americana. Ele competiu no Rio nas modalidade duathlon e triathlon.

Antes de sua transição, ele competia na modalidade feminina, porém não se sentia confortável. Passou por todo o processo e lutou para garantir seu espaço, chegando ao nível mais elevado do esporte.

Ele foi convidado pela Nike a estrelar a campanha “Unlimited Courage” – “Coragem Sem Limites”, em tradução literal -, na qual atletas relatam a superação de limites pessoais. A propaganda conta um pouco da história do atleta sobre a sua inclusão no esporte. Assista:

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