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Mariah Carey fala de músicas novas, sacaneia o marido e elogia Madonna, Beyoncé, Gaga…

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“Por favor, conheça a Mariah”, diz a assessora ao me apresentar para a diva pop, que me aguarda de pé numa suíte luxuosa de um hotel em Nova York. “É um prazer te conhecer”, digo com o maior sorriso do mundo no rosto. A felicidade não era só porque eu estava conhecendo uma cantora que admiro, acompanho e venero desde o começo da carreira. Eu também sorria de alívio. Foi um dia inteiro de agonia e horas de espera até chegar esse momento (saiba tudo que aconteceu).

Eu olho para um balde com vinho e champagne e alguns petiscos na mesa de centro da Mariah Carey e comento: “Então é assim que você consegue ficar horas e dar uma entrevista atrás da outra?”. Ela dá um sorriso simpático e diz que eu preciso daquilo também. “Algum de vocês pode me ajudar a oferecer ao Phelipe algo? Pega um copo limpo pra ele”, pede Mariah para a equipe. Dá para entender a minha situação?

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Mariah coloca vinho na minha taça e diz que já volta. Eu vou esperar mais? Pior que vou. Depois de 18 minutos, ela volta. Mariah ficou conversando numa sala reservada, de portas trancadas (essa da foto acima). Ela retorna e pede desculpas: “Eu tive que falar um monte de coisa para o pessoal que está no meu estúdio finalizando as faixas”. Eu digo que não tem problemas e…

Papelpop: Então você está finalizando o álbum novo! Como está?
Mariah Carey: Estou finalizando meu álbum… [diz, com voz exausta] Eu não vou dizer nada ainda e… [faz uma pausa e decide mudar de assunto]. Em primeiro lugar, eu amo o Brasil. Tenho que começar dizendo isso. Estive por lá duas vezes…

Eu sei. Você veio se apresentar, mas também veio comer no meu restaurante favorito
Aquele é o seu restaurante favorito? O das carnes? Eu lembro muito bem, é maravilhoso.

Não é incrível?
[Mariah levanta a mão direita perto da cabeça, como se fosse cantar, mas quebra o punho e diz] O QUÊ? PRA LÁ DE MARAVILHOSO (BEYOND AWESOME!) Eles tinham um restaurante aqui, na esquina do meu apartamento, mas fechou. Era um brasileiro.

Mas existe uma churrascaria brasileira aqui bem famosa, em frente ao Moma
É mesmo? Não sabia. Mas essa perto da minha casa eu amava. Era 100% brasileira, espaçosa, do mesmo tipo, mesmas carnes. Tudo incrível.

Viu? A gente come muito bem no Brasil.
Eu sei muito bem disso. Quando fui lá eu fiquei chocada. Eles sabem fazer aquilo lá muito bem… [estala dois dedos no ar] traz isso, isso e essa comida aqui pra minha mesa.

Você pretende voltar ao Brasil? Talvez para fazer a turnê desse álbum?
SIM! Eu quero fazer turnê com esse álbum e ir ao Brasil. A única coisa que está acontecendo… Eu disse pra eles que não queria playback, mas, como sempre, as pessoas acham que podem passar por cima de mim e fazer o que bem entendem. Eles vivem em algum outro planeta que eu não conheço. (risos) Mas esse é o meu álbum e eu tenho controle sobre ele no contrato, então… [Mariah interrompe a entrevista porque a amiga dela, sentada atrás de nós, resolveu tirar fotos com flashes do celular dela]. Para com isso? [pede Mariah, toda fofa].

Mas você conseguiria descrever o álbum novo em três palavras?
[Mariah continua aparentemente irritada por causa da foto e finge que não ouve minha pergunta].

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Escute um trecho da entrevista:

Eu já ouvi o que foi lançado e estou muito animado para saber do restante…
Obrigado, querido, algumas das coisas que você está ouvindo podem nem acabar entrando no álbum. É por isso…

SÉRIO?
Sim, é por isso que as pessoas precisam esperar. Por isso as pessoas precisam esperar. E isso é muito irritante porque eu fico, tipo, olha, quando estou fazendo um álbum, eu faço o álbum. Às vezes isso parece totalmente óbvio, mas [Mariah começa a fazer uma pose de ensaio fotográfico no sofá e fica falando como se estivesse paralisada porque percebeu que sua amiga deu a volta na sala e agora Mariah aparecerá na foto que a colega insiste em tirar]. Eu não sei se devia fazer essa pose. Nem é uma boa pose.

Eu queria muito essas fotos depois, vocês não conseguem me mandar?
[Mariah não me responde porque prefere falar com a amiga fotógrafa] Querida, não faz mais isso não. Senão não consigo me concentrar no que estou dizendo. Eu sinto quando tem alguém tirando foto. Então… Assunto importante: o álbum. Se fizermos uma jornada ao passado. Vamos pensar no álbum Daydream. Ele tinha One Sweet Day, Always Be My Baby… [fica pensando]

“Fantasy”!
Exato [Mariah estala o dedo]. E também tem “Music Box” com “Dream Lover”, “Hero”, “Without You”… Em todos esses álbuns, eu sabia qual seria o primeiro single. Eu sabia, era óbvio e estava lá. Mas nesse álbum novo nós ainda não [estala o dedo novamente] conseguimos destacar algumas canções. Até na época de “Honey”, que era um risco porque eu tinha acabado de deixar meu ex-marido, que comandava a gravadora de discos.

Você está falando de Tommy Mottola…
Querido, eu nem acredito que eu estou falando a palavra ex-marido, que eu tenho um ex-marido. Isso é tão bizarro. Tããão bizarro (risos).

Acontece nas melhores famílias…
Sim, eu sei, mas não achei que aconteceria comigo. Mas “whateveeerrr”!

Então você sente que esse álbum ainda não tem um single poderoso para ser lançado?
Absolutamente. Exatamente. Por que eu ainda… Olha, é o seguinte… Eu estava gravando “American Idol”. Antes disso, eu estava tendo bebês. Duas crianças. Houve muitas experiências na vida. Eu desloquei meu ombro durante as gravações do clipe de “Beautiful”, o single. Mas foi no vídeo remix e não sei como aconteceu. Eu caí e meu ombro foi delocado. Morri de dor. E aí eles colocaram o ombro no lugar e ele saiu de novo. E colocaram de novo… (risos) Ainda dói e ainda estou curando.

Como você vê a indústria da música hoje em dia? Te deixa preocupada ou entediada ou mais animada?
Quer saber? Eu sinto que se alguém tem algo que queria expressar musicalmente então eles têm o meu total apoio. Com o meu álbum novo, agora, eu estou começando do zero agora. Por isso não quis mostrar nenhuma música hoje. É legal que eles escutem alguma música, mas ela não representa o álbum. Quando as pessoas ouvirem esse álbum, quero que eles tenham uma experiência. Como se eles tivessem escutando comigo, simultaneamente. Por isso eu tive que tomar o controle e voltar atrás e dizer ‘olha, me desculpa, mas eu não posso tocar gravações sem mixagem ou masterização’.

Quando você acha que estará pronta para mostrar?
Eu quero fazer isso numa ocasião em que as pessoas recebam o álbum no mesmo dia em que eu faça algo… em outro evento que eu também não posso falar qual. Mas vai ser um acontecimento bem empolgante. Quero que as pessoas sintam a mesma coisa que eu sinto. Sim, é claro que eu tenho músicas agitadas, outras mais tranquilas, mais baladas… A gravadora ouviu as poucas que eu já tenho e eu parei numa cadeira de rodas. Ainda estou me recuperando disso.

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Só por favor não deixe “The Art of Letting Go” fora do álbum porque ela é fenomenal…
Você quer que eu a deixe no álbum?

Sim, por favor, lembre de mim na hora de decidir…
(risos) Eu vou. Não, mas olha, independentemente de estar ou não no álbum, vai entrar como bônus ou edição internacional do álbum. Mas eu fiquei chateada porque anteriormente, essa música sempre foi a primeira. Eu tinha tudo já planejado. E até mesmo recentemente eu coloquei mais três músicas novas. Uma é mais uma uptempo, que eu cantei logo depois que entrei no avião.

Como? Não entendi.
Quase perdemos o voo. Eu quase não saí do aeroporto. Eu tinha que cantar aquilo. Era um dos melhores vocais. Eu tinha que cantar naquela hora. É algo tipo ‘Honey’ ou ‘Fantasy’, nesse estilo. E depois vieram mais duas canções que sinto muito, muito mesmo que são hits mundiais, mas sem perder a conexão doméstica [com os EUA].

Você consegue sentir quando uma música pode agradar mais os EUA ou o mundo?
Às vezes. Sim. Têm músicas que são gigantes no mundo e aqui não. Com “Whithout You” foi assim, por exemplo. Não foi número 1 nos EUA.

No Brasil, provavelmente, é uma das suas músicas mais famosas…
Eu sei. Não só no Brasil, mas em muitos outros países também.

Eu queria falar de internet. Sei que você usa Instagram, mas você navega? Entra em sites?
Depende. Se é alguém que eu conheço, que eu sei que tem sites bons e pontos de vista que concordo, eu navego. Mas ficar por ali mexendo, olhando negatividade. São “vibes” que não para mim. Eu sou uma pessoa muito positiva. Eu não gosto de ver coisas desnecessárias. Mas, dito isso, eu preciso ficar sabendo das coisas e ficar informada sobre as coisas que estão sendo ditas.

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Uma coisa boa da internet é mesmo a música, você conhece artistas novos… Pode ter “matado” a indústria da música, mas…
[Mariah Carey arregala os olhos e olha para os lados, como se pedisse socorro]

…Mas ajudou a divulgar muita música e levar mais música para todo mundo. Você não concorda?
É fácil para você dizer isso [Mariah joga o cabelo e dá de costas para mim] porque você tem um emprego diferente do meu… Matou a indústria da música? Grrrrreat! Grrrreat! [Mariah dá risadas]. Mas não “matou” a indústria da música.

Desculpa, é claro que a indústria da música continua viva, mas de outra forma. Não se vende mais discos como ontem…
Sim, mas você precisa saber como fazer atualmente. O que matou mesmo foi uma atividade. Antes as pessoas podiam ir para uma loja de discos, ficar ouvindo as músicas lá, ter essa experiência como criança eu me lembro…. Eu não vou dizer qual disco era porque vai parecer que eu estou dizendo isso de propósito. Mas eu ia para a loja [Mariah dava risada sozinha] e ficava vendo o álbum de uma pessoa em particular…

Que artista é essa?
Não. [Mariah abaixa a cabeça e fica fazendo não com os dedinhos cobertos por uma luva preta de renda, bem perto da minha cara] Não, não. Não posso dizer quem é porque senão vão achar que estou falando isso só para avacalhar a pessoa e tal (risos). Mas eu só queria ver como a pessoa era porque eu sempre queria ter um só nome para mim como artista. Sempre achei que seria só Mariah.

Eu acho que sei de quem você está falando…
Eu não sei. Talvez eu tenha inventado isso tudo para você [diz Mariah com a voz irônica]. Talvez foi um sonho meu (risos). Mas isso era uma coisa legal. As pessoas saíam de casa para comprar discos. E depois era CD. E você encontrava amigos, fazia compras depois. E isso fez fechar lojas gigantes. Mas eu entendo. Acha que vou trocar a Apple TV pra sair de casa e ir pra blockbuster e pegar um vídeo? Não. É mais fácil… [Mariah agora faz voz charmosinha, enrolando um punhado de cabelo nos dedos]. Porque eu fico deitada na cama, assistindo “Scandal”, um atrás do outro (risos).

Que seriado você curte? Sei que você é uma grande fã de “Game of Thrones”…
Não. Eu não sou. De onde você tirou isso?

Eu li uma entrevista com o Nick [Nick Cannon, marido de Mariah Carey] e ele disse que você amava…
[Mariah larga o copo na mesa] DIZ PRO NICK… [grita no sofá, enquanto eu e a amiga dela caímos na risada na sala]. UAU!

Eu li e fiquei “Sério? Mariah assiste Game of Thrones?” Ele diz que você fica até tarde da noite assistindo…
[Enquando me ouve, Mariah levanta do sofá, pega vinho, coloca mais no meu copo, pega um pedaço de legume e fica de pé] Uau! Olha… Quer saber? Eu vou com a resposta clássica de “você não pode acreditar em tudo que lê”. Seja na internet ou em qualquer outra lugar. [dá uma mordida na comida e continua de boca cheia]. Com todo respeito que tenho por “Game of Thrones”, eu nunca vi o seriado. Eu sou mais do tipo “Scandal”, eu amo “Boardwalk Empire”. Eu amo. Quando eles mataram Jimmy, eu fiquei muito chateada. Eu fiquei tão brava. Tipo, “tá de sacanagem”?

Você gosta de “Homeland”! [grita a amiga lá atrás, que agora faz parte do nosso papo]
Eu gosto de “Homeland”. E eu vi o astro do “Homeland”, que interpreta Brody. Me diz o nome dele…

Damian Lewis…
Isso. Eu o conheci no SAG Awards, quando nós estivemos lá por causa de “O Mordomo da Casa Branca”.

E você foi lá nele tipo fã?
Sim, eu disse que amava o seriado. E aí? Como é que está? E ele [imitando a voz grossa do ator] “Espere pela próxima temporada!”. Foi ótimo. Batemos um papo legal.

Eu preparei algumas perguntas rapidinhas pra você dizer o que vem na sua mente… A primeira é “Ser uma mãe é…”
Uma responsabilidade enorme que você tem para o resto da sua vida e, para mim, é um motivo para viver.

“Estou muito feliz quando…”
Eu posso dormir e acordar a hora que eu quiser… (risos)

Então você é como eu…
[Mariah dá risada]

Eu não sei se a gente precisa dessa aqui, mas… “O meu marido Nick Cannon deveria…”
[Mariah faz graça abaixando a cabeça, pondo os dedos da mão na testa e fechando os olhos]

Acho que você já disse antes, né?
… Ele devia pensar antes de falar [Mariah joga as mãos pro céu]

Escolha o seu favorito: Minnie Mouse ou Shrek?
Eu não consigo. Meus filhos costumavam adorar o Shrek, mas depois ficaram com medo. Então tudo que eu vi foi Shrek por seis meses.

Sério?
(risos) Verdade. Eu quando vou dormir eu vejo o que eu quiser, mas quando nós deitamos juntos nós víamos Shrek. Pelo menos o Shrek tem vários filmes. Eu escolhe Shrek como filme, mas claro que eu amo Disney então Minnie é uma favorita.

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Vamos de artistas novas: Ariana Grande ou Miley Cyrus? Qual delas é a sua…
Sério. Eu não… eu não escuto música pop. Desculpa. Eu não sei. Eu prefiro a minha filha Monroe, que já está arrasando e nem tem três anos de idade.

Ah, ela tem uma mãe que é uma talentosa…
Obrigado! E ela é muito nova!

A próxima é: Lady Gaga ou Nicki Minaj?
Oh, darling, please! Nós amamos todo mundo. O que você quer dizer? Essa é minha resposta.

Ok. Você ama as duas, tudo bem.
Nós amamos todo mundo. Eu não tenho problema algum com a Lady Gaga.

Ok…
Por quê? Tem algum problema que eu não sei? As pessoas inventam coisas toda hora então não tenho ideia.

Não. Eu vi ela se apresentar ontem à noite e ela arrasou. Eu acho ela boa.
Sim. Então você gosta dela e eu a amo. Nós amamos todo mundo.

A última: Madonna ou Beyoncé? Qual delas?
Olha, Madonna é inovadora, ela realmente ajudou a indústria da música de vários jeitos. E eu amo a Beyoncé como pessoa e ela é uma amiga pessoal minha e também acho que ela é incrivelmente talentosa como cantora e performer.

Foi incrível te conhecer. Adorei a entrevista!
Eu que agradeço!

Espero vê-la no Brasil logo.
Sim, sim, por favor!

Talvez ir para uma churrascaria…
Isso! Vamos fazer isso. E você pode me recomendar tudo assim que eu terminar minha dieta. Se bem que dá para eu ir se eu só comer a carne. Tchau! [ela acena com a mão de luvinha preta de renda]

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