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“Yeezus”: faixa a faixa do novo CD complicadinho do Kanye West

“Yeezus”, sexto CD de estúdio do Kanye West que estreou há alguns dias, não veio para agradar todo mundo. Longe de ser “easy listening” (termo que a galera da indústria usa para músicas que agradam fácil o ouvido), o novo álbum é uma mistura frenética e nervosa de tudo que Kanye curte.

Tem new wake, punk, tecno industrial, ritmos jamaicanos, rap, hip hop, tudo misturado com bastante distorção, psicodelia e anarquia musical. Dá uma olhada nesse faixa a faixa e use os comentários para falar o que achou também!

1) “On Sight”: pensa em alguém tentando procurar uma música no rádio, tentando sintonizar uma melodia. É o que essa música, que não tem esse nome à toa, parece representar. Aqui, Kanye é o mais frenético possível para tentar apresentar tudo o que você vai ouvir ao longo do CD.

2) “Black Skinhead”: a letra é ótima, ousada e não óbvia. É a melhor música do álbum, a mais industrial e também a mais selvagem, rude e raivosa.

3) “I Am a God”: qual a dúvida de que uma música com esse nome estaria no álbum do Kanye West? A música é nervosa e cheia de rancor, com direito a gritos, gritos e mais gritos no final. É pra incomodar mesmo. “I Am a God” é produzida pelo Daft Punk e tem participação do Justin Vernon, do Bon Iver.

4) “New Slaves”: a música é o primeiro single do CD e convoca todo mundo a ser dono de si mesmo. “Existem líderes e seguidores. Eu prefiro ser um babaca do que alguém que egole tudo fácil”, canta Kanye. A faixa é rap com muito som sintético – o que já virou uma marca do Kanye. “New Slaves” tem participação do cantor americano Frank Ocean.


5) “Hold My Liquor”:
perto da raiva do CD todo, essa música soa quase como uma balada. “Vadia, eu acabei de sair do coma”, começa cantando Kanye. A canção de novo tem participação de Justin Vernon, mas a estrela aqui é o riff de guitarra do meio pro final.

(Foto: Reprodução/Saturday Night Live)

6) “I’m in it”: a estrela da música é o rap do estilo jamaicano do Travis Scott, numa melodia que lembra a música anterior e destoa do todo frenético do “Yeezus”. É uma música com mais “swag” do que a maior parte do CD.

7)”Blood on the Leaves”: nessa faixa, a mais “trap beat” do CD, Kanye é puro auto-tune embalado ao som de um sample de “Strange Fruit”, da Nina Simone. A mensagem aqui é que Kanye aprendeu direitinho a lição trabalhando junto com o amigo Jay-Z, que é mestre no uso dos samples.

8) “Guilt Trip”: o nome não é sem justificativa. Na música, Kanye fala sobre relacionamentos perdidos. “Foi nessa época que meu coração levou um tiro”, canta. A música conta com a participação de Kid Cudi e rolam até uns violinos do sofrimento.

9) “Send it Up”: a sirene do Daft Punk dá o tom mais uma vez pra essa faixa com clima alemão (não à toa – ao lado dos franceses, outro produtor é o Gesaffelstein) e toques de reggae. É uma mistura maluca mesmo.

10) “Bound 2″: Kanye escolheu a música mais diferente do CD para fechar esse trabalho. “Eu sei que eu tenho uma má reputação”, canta Kanye ao som de uma melodia super funky, leve e nada rancorasa ou raivosa. É mais uma faixa da escola Jay-Z de produção musical.

O que fica…

“Yeezus” não vai tocar no rádio. Mas Kanye West não está nem aí pra isso. Antes mesmo do lançamento do CD, ele confessou estar muito mais preocupado com o processo artístico do que com o número de CDs vendidos.

E faz sentido. “Yeezus” estreou em primeiro lugar na Billboard, nos EUA, mas bem abaixo da previsão do mercado, que apontava, no mínimo, 500 mil cópias na primeira semana. O álbum vendeu pouco mais de 300 mil – um número alto e lindo, mas abaixo das expectativas para alguém como Kanye.

Mas, de novo, quem liga? Kanye, não! Nem eu! :P

por Rafael Maia em 30/06/2013 20:53

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