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Que Whitney Houston descanse em paz…

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Eu nunca vou esquecer da primeira vez que vi Whitney Houston cantar ao vivo. A cantora veio fazer um show no Brasil, no Rio e em São Paulo, em 1994, durante o festival Hollywood Rock, e eu estava lá.

Naquele começo de anos 90, Whitney vivia o auge da carreira dela. O mundo inteiro cantava “I Will Always Love You”, o filme “O Guarda-Costas” era um sucesso gigantesco e eu lembro de ficar espremido no meio daquela multidão empolgada que mal deixava Whitney cantar de tão alto que gritava os versos das músicas junto com ela.

Whitney olhava para a banda e ria sem entender (o público de outros países costumam ficar quietinhos ouvindo ela cantar), mas ela parecia amar aquela novidade e inventou um jeito sensacional de lidar com a situação: cantar junto com a gente.

Era de arrepiar ver Whitney fazendo firulas com a voz, brincando com as notas, dando agudos e sendo tipo uma backing vocal da nossa cantoria em alguns momentos. Para driblar nosso coro, ela modificava a melodia, cantava antes de nós, esperava para cantar o refrão segundos depois e aquilo tudo conseguia sair tão lindo, com tamanha maestria, ritmo e paixão que arrepiava e trazia lágrimas aos olhos com facilidade.

Naquele show, nós víamos um gênio criando, improvisando… Era como se víssemos um Picasso pintando, um Pelé driblando, um Shakespeare escrevendo. Só mesmo um artista com total domínio de seu ofício consegue fazer aquilo que o Brasil presenciava. Whitney nasceu com a música e o ritmo no sangue e com um dom inacreditável nas cordas vocais.


Whitney Houston cantando “I Will Always Love You” no Brasil

Não falo exagero algum. Se a geração de anos atrás tinha Maria Callas, Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Judy Garland, nós podíamos agradecer e comemorar por ter alguém como Whitney Houston na nossa época.

Quando ouvi a notícia da morte de Whitney horas atrás, eu não conseguia acreditar. Por que tão cedo? Quanta injustiça, que perda gigantesca… Tudo bem que nos últimos anos a cantora vinha lutando contra o vício, prejudicando a própria voz, mas eu ainda carregava a esperança de que ela superaria, daria a volta por cima e voltaria a mostrar para o mundo o quão sensacional e competente ela é.

Foi uma triste e abrupta despedida, um final infeliz…

Antes dela, não existia o conceito de diva da música pop como há atualmente. Foi com aquele glamour da personagem do filme “O Guarda-Costas”, as impecáveis apresentações e os inúmeros hits consecutivos que Whitney conquistou este posto de diva do showbiz nos anos 80 e 90.

Depois dela vinham artistas como Mariah Carey,  Toni Braxton, Celine Dion, Mary J Blige, Jennifer Hudson e muitas outras… Nenhuma delas, obviamente, com o mesmo talento vocal fora do comum de Whitney. É praticamente impossível dizer quais são as melhores apresentações dela. São centenas!

É muito difícil acreditar na morte dela aos 48 anos de idade.

Mesmo nestes últimos anos de fraqueza da cantora, ela nunca saiu dos meus ouvidos. Whitney vai continuar cantando no meu computador, nos meus aparelhos de som e continuar fazendo a diversão minha e de meus amigos ao brincar e competir para decidir qual é a melhor apresentação ao vivo dela no Youtube.

Desta vez, aquelas rezas inventadas por nós inspirada nesta foto acima que faziam rir são verdadeiras, tristes e respeitosas.

Aqui no Papelpop (e também no meu coração de fã), Whitney Houston vai continuar viva e cantando brilhantemente como sempre. Que ela descanse em paz.

Phelipe Cruz, criador e editor do Papelpop

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