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“Born This Way” da Lady GaGa é exagerado, ambicioso, cafona e… por isso é brilhante!

MAIS SOBRE:

“Born This Way” é desses álbuns que, na primeira ouvida, deixa uma impressão estranha: que é uma mistura de dezenas de coisas, uma barulheira e uma cafonice só… Foi isso que ouvimos quando as faixas caíram na internet.

Na verdade, ele é bem isso mesmo. Hahaha! Mas é justamente por isso que está cheio de preciosidades e músicas sensacionais.

Lady GaGa exagera, mistura, faz você achar que já ouviu aquilo tudo (porque está lotado de referências) e por isso acaba fazendo seu mais novo álbum artisticamente ambicioso, brilhante e exagerado ao mesmo tempo.

Se você ainda não escutou, ouça uma prévia das 14 músicas:

Nossa opinião (agora mais elaborada), faixa-a-faixa, de “Born This Way”:

1) “Marry the Night” – a música que abre o CD é a mais anos 90 possível. Sabe a velha, boa e dançante Whitney Houston? O refrão não lembra Gabrielle, “Dreams”? Então… Você ouve isso tudo numa das músicas mais dançantes da GaGa.

2) “Born This Way” – o problema de “BTW” (como os fãs abreviaram) é que a música nasceu cheia de promessas e acabou com comparações com “Express Yourself”. O single tá longe de ser ruim. É um dos melhores do CD. É superdançante, a letra é ótima, refrão certeiro e, bom… o mundo inteiro já ouviu 500 vezes.

3) “Government Hooker” – letra divertida, nome-bafo, batidas cool, música de passarela de moda e com atitude. Tudo que uma faixa pop dançante tem que ter.

4) “Judas” – o single é uma saladona de barulhos que enjoa bem rapidinho. Talvez seja uma das músicas mais estranhas e irritantes da cantora. No meio das outras boas músicas do CD, “Judas” fica apagadinha.

5) “Americano” – no começo parece um primo pobre de “Alejandro”. Como se ele tivesse ido dançar numa roda de ciganos. Mas a música cresce na segunda ouvida. É muuuito melhor que isso. A letra fala dos imigrantes latinos nos EUA e brinca com essa situação toda de uma maneira tão clichê, tão brega, tão “Santa Esmeralda” que acaba divertindo demais. Um das faixas mais originais do CD!

6) “Hair” – é a música mais leve do álbum. “Eu sou o meu cabelo”, canta a GaGa. Serve como uma válvula-de-escape pras letras profundas e as batidas pesadas roqueiras das outras músicas. É tipo a parte pink do rock preto de BTW.

7) “Scheiße” – é um exageeeeero do começo ao fim! E ainda em alemão, GaGa? Sério! Precisava? A letra é a mais boba de todas, mas a faixa também diverte.

8) “Bloody Mary” – é o oposto de “Judas”, em todos os sentidos. Seria a música “Jesus Crista”. Hahaha! A música também trabalha com simbolismo religioso, mas com uma sonoridade do dance europeu tipo Miss Kittin, Goldfrapp, Ladytron…

9) “Bad Kids” – essa é a música mais “sô punk”, “sô revoltada”, “sô rebelde” do “Born This Way”. Mas não passa disso. É só mais uma faixa pra encher o álbum.

10 ) “Highway Unicorn (Road to Love)” – às vezes parace rock, às vezes parece pop. Quer dizer, assim como a capa do CD, não dá pra entender direito essa “bagunça” da faixa.

11) “Heavy Metal Lover” – é uma faixa que não é expressiva, que se inspira nas batidas de pistas mais alternativas da europa de novo e passa batida no CD. É tipo faixa de produtor.

12) “Electric Chapel”
– guitarrinha elétrica que grita anos 80 absurdamente com batidas dance eletrônica. Alguém mais pensou em Madonna?

13) “You and I” – a balada de amor do CD é uma faixa com um ar de jazz-eletrônico previsível. E quando a gente lê “You and I”, a gente só pensa naquela outra música do Stevie Wonder, que é sensacional. Aí estraga tudo, carammm…

14) “The Edge of Glory” – Lady GaGa fecha tudo com chave de ouro. Essa faixa é uma das melhores de “Born This Way” e, sem dúvida alguma, uma das melhores músicas da cantora. “The Edge of Glory” é brega, com uma letra escandalosa, um saxofone que grita cafonice e um refrão apocalíptico no melhor estilo das músicas do Abba. É viciante.

Nossa conclusão:

Na primeira audição, a bagunça de GaGa faz você estranhar tudo. Ela aparece incansável, exagerada e mistura tudo com tudo. Pra quem quer ouvir um álbum fácil, não é o caso. Estranhamos na primeira vez que ouvimos, mas agora já estamos fãs número 1.

“Born This Way” acaba sendo um álbum que faz sentido, divertido sim! (nas cafonices, nas referências) e escandaloso.

Tem Whitney Houston, tem Madonna, tem TLC, tem todo o clima do final dos anos 80 e o início dos anos 90!

O álbum é mais pretensioso que sensacional, é mais exagerado que harmônico, é mais drag queen do rock que dama da corte, mas acaba acertando em várias músicas justamente por isso.

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