A edição paulista do Tim Festival reuniu todas as grandes atrações do evento em uma só noite (a de ontem, domingo, no Anhembi). O resultado foi um belo programa de índio com alguns momentos de alegria.
Como aguentar uma maratona de shows que começou às 8 da noite e terminou lá pelas 5 da manhã com vários atrasos durante as apresentações e uma péssima qualidade do som no local? Foi difícil, foi sofrido, mas deu para sorrir algumas vezes…
Principalmente quando Bjork subiu no palco após uma apresentação simpática dos nerds do Hot Chip (que também sofreram com problemas no som). A cantora islandesa levou o público ao delírio ao aparecer vestindo um turbante e um manto colorido num palco cheio de bandeiras, raios laser, televisões e cantando “Earth Intruders”.
Bjork estava, como sempre, muito inspirada e bem acompanhada. Além de um grupo de dez meninas com seus instrumentos musicais de sopro, a diva pop trouxe de volta o seu companheiro de longa data, DJ Mark Bell, que criou novas versões dançantes e incríveis para hits como “Hyperballad” e “Pluto”.
Bjork soltou teias pelas mãos em “Hunter”, fez uma revolução no palco com direito à chuva de papel picado em “Declare Independence” e foi ovacionada até mesmo em momentos mais calmos como “Jóga” e “The Anchor Song”.
Depois de uma apresentação impecável da islandesa, qualquer atraso e imperfeição de som naquela noite poderia ser perdoada e esquecida facilmente. Mas aí veio a apresentação sofrível da banda Juliette and The Licks…
Após quase uma hora de espera, a atriz/cantora chegou cheio de gás, super performática e animou o público com seus números de contorcionismo cheios de sensualidade. Mas o principal do show ficou faltando: música boa.
Já estava dando vontade de ir embora após ver a atriz brincando de ser cantora, mas aí veio o show do Arctic Monkeys.
Aliás, um recado para Juliette Lewis: aprenda com os roqueiros britânicos. Não é preciso se mexer no palco, nem animar a platéia pedindo palmas e nem se enrolar na bandeira do Brasil para fazer uma grande apresentação. Basta um punhado de boas músicas e hits incendiários para deixar todo mundo maluco e feliz da vida.
Após a perfeita apresentação certeira e impecável do Arctic Monkeys, mais uma hora de espera para os integrantes do The Killers, que começaram o show lá pelas 4 da madrugada. Já não dava mais para aguentar. O som estourado e o cansaço prevaleceram e grande parte do público já deixava o Anhembi na metade da apresentação.
Mas não fomos só nós “mortais” que sofremos na noite de ontem. O ator Wagner Moura também. Ele era um dos inúmeros famosos que circulavam na área VIP, mas foi a única celebridade que não conseguiu dar um passo no local sem ter que parar para tirar mil fotos com vários malas que ficavam gritando: “Capitão! Capitão! Capitão Nascimento! Tira uma foto comigo!”.
No final da noite, água e refrigerante esgotado. Eu pedi pra sair.
[fotos: Raquel Espírito Santo]